quarta-feira, outubro 29, 2014

Dão: CAV Vinhas Velhas

Numa lazy afternoon, surge no meio da caixa do nada a lembrança de um vinho branco. Um vinho branco que nasce ou nasceu a partir de um aglomerado de vinhas velhas encostada às faldas da Serra. Segundo consta, vinhas com mais de cem anos. Este facto, não sendo exclusivo na região é, por si só, motivo de curiosidade. 


Depois há outra curiosidade: o nome. CAV quer dizer Clube Amigos do Vinho. É um dos vários projectos que o Produtor SEACAMPO está envolvido. De grosso modo, este produtor vai facilitar aos interessados espaço e os requisitos necessários para que possam guardar os seus vinhos. Desconhecendo a existência de outros projectos semelhantes, devo dizer que achei a ideia curiosa para quem luta com dificuldades de espaço ou não tem as melhores condições ao nível da temperatura.


Sobre o vinho, e para rematar a conversa, pareceu-me um vinho que se pauta pela elegância, pela suavidade, pela finura, pela frescura. É vinho para regressar e voltar a provar ou beber. Como queiram.

sexta-feira, outubro 24, 2014

Confirmado e Confirmadíssimo

Podia acabar com outro vinho, podia fechar, com chaves de ouro, escolhendo um nome mais sonante, mais de acordo com a fina flor, conseguindo, sei lá, mais inveja ou coisa parecida.


Escolhi para encerrar o périplo bairradino, um vinho de cooperativa. Um vinho que representa um estado, uma lógica: é possível fazer e apresentar ao povo mais elitista e que olha de soslaio, algo com enorme qualidade. 


Este vinho, e resumindo o enredo e contando de forma grosseira, estava a um canto lá no meio de outros. E a certa altura, foi revisitado por quem de direito, ficando estupefacto com a força, a forma, a qualidade, a complexidade que apresentava passados vinte e dois anos. Um vinho saudavelmente decadente. Por todas estas razões e mais algumas, direi que está, por isso, Confirmadíssimo.

domingo, outubro 19, 2014

Dores Simões e a Irrepetibilidade do Momento

Ainda às voltas com as reminiscências do passado. Estou quase no fim da linha, quase a encerrar o livro de memórias. Os momentos foram únicos, foram irrepetíveis. Este vinho, este mesmo, encerra no seu âmago a definição de perfeito, de maior, de algo que muito dificilmente se conseguirá escalpelizar. 



Devo dizer que seria, no mínimo, curioso ler e ouvir uma qualquer descrição sobre o que poderá saber e cheirar. Quem o fizer, ou fez, tem a minha admiração. Admiração pelo tempo que perdeu em tamanha tarefa. Admiração por ter tido a veleidade e o arrojo de tornar possível o impossível e ter perdido o essencial: o desfrute, o prazer. Ter deixado fugir o silêncio e a companhia, porque há coisas que são irrepetíveis. Por muito que se tente, não se voltam a ter. E a recordação, meus caros, vale mais que simples e inócuas palavras. Sente-se.

quinta-feira, outubro 16, 2014

Casa de Saima e o Branco de 1993

Podia dizer que ainda havia outro e que entre este e o outro, as diferenças eram meros pormenores, sustentados somente por inclinações pessoais. Na verdade, ambos eram grandes vinhos. Uns preferiram o outro, eu preferi este. Sem zangas, uns beberam o outro e eu bebi este



Preferi este pela suavidade, pelo enorme equilíbrio, pela enorme complexidade de aromas e sabores. Preferi este, porque preferi, porque gostei mais, porque tinha que escolher. Preferi este, porque naquela noite foi, simplesmente o melhor vinho branco ou porque, basicamente, foi o que me soube melhor. E basta.

terça-feira, outubro 14, 2014

Casa de Saima: do Tonel 10

Simplesmente, e usando pouquíssimas palavras, arrebatador. Em discurso simples, sem qualquer rodeio, sem qualquer vai não vai, sem isto e aquilo, estive perante um grande vinho. Um vinho que marcou a minha noite e o meu momento. Um vinho que fez parar o tempo, que ajudou a colocar algumas agulhas no lugar. E isso é que (me) importa.


Não sei se é clássico, moderno ou simbiótico. Na verdade, não quero saber literalmente de tendências, caminhos ou filosofias. Há muito que uns e outros me baralharam sobre o que era, o que podia ser e qual devia ser o caminho. Afinal tudo não passava ou passa de perspectivas, maior parte das vezes tolhidas por uma enorme cegueira.


Mas regressemos ao vinho. É efectivamente um vinho que merece ser colocado ao lado dos maiores da região, não para ser reconhecido, mas porque o merece por direito. Ser um par e não um pária. E acabo, literalmente como comecei: simplesmente arrebatador.