domingo, julho 31, 2016

Estupidez Azul

Aviso: O título nada tem a ver com clubismos, nem muito menos pretende achincalhar os adeptos das equipas que tradicionalmente trajam a azul. Esclarecimento feito. Dito isto, devo dizer que nunca pensei que esta foto tirada, numa das raríssimas visitas à Bacalhôa em Azeitão, fosse premonitória de qualquer coisa que iria ultrapassar a linha do disparate. Uma fronteira que nunca pensei que alguma vez fosse dobrada. 

A foto é minha.
Ainda pensei que houvesse algum bom senso aqui no Condado. Mas não. Há que copiar o que de inútil se faz lá fora. Não podia ser de outra maneira.
Devo dizer que fiquei, ou não, estupidamente surpreendido pela enorme estupidez que foi criar um vinho azul e divulgá-lo com enorme orgulho, com enorme satisfação, como se fosse, sei lá, uma das últimas maravilhas. 

A foto é da Vida Rural.
É caso para dizer que também fiquei azul ao ver tamanho despropósito o que apraz dizer que azul, neste caso, é sinónimo de alienação, de falta de bom senso, de ausência de outra coisa qualquer que não sei bem dizer o quê. E o Casal Mendes que achará da coisa?

quinta-feira, julho 21, 2016

Um litro e meio de Quinta da Leda

Nada melhor do que termos pela frente vinho em quantidade suficiente, em que o fim não está à vista. Em quantidade suficiente para atingir aquele estado de ebriedade, tão necessário em algumas alturas da vida. E depois dormir como se fôssemos um daqueles anjinhos que não têm sexo. Ou se têm, um tipo não consegue descortinar quem é quem.


Se muitas vezes atingimos esse nível de alheamento com uma porcaria qualquer, com um vinho que veio sabe-se lá de onde, imaginem o que é fazê-lo com algo incomensuravelmente melhor. Em vez de tragar rapidamente para atingir o tal objectivo, podemos ao invés sentir o que vai acontecendo com os nossos sentidos de forma pausada, num ritmo muito mais controlado, muito menos ofegante e com um nível de gozo muito maior. Assim vale a pena.


O resto é igual: vai-se bebendo até alcançarmos o que queremos: o fundo da garrafa e a alegria de estar de alegre e distante da bosta ou das bostas que nos apoquentam sistematicamente.

segunda-feira, julho 18, 2016

Quinta de Foz de Arouce: de 1996 a 2016

Há coisas do caraças. Um simples vinho com vinte anos de idade, leva-nos num ápice a parar com os ponteiros do tempo e recambiar para trás. Faz-se uma breve revisão de vinte anos de vida. Relembra-se, sem qualquer esforço, o que aconteceu em mil, novecentos e noventa e seis. Porra, naquela altura o sonho ainda comandava a vida. Ainda. Com muita coisa já metida nas gavetas, é certo, mas ainda havia aquela sensação que talvez fosse possível dar a volta ao texto.


O angustiante disto tudo é ter percebido, quando os ponteiros do tempo voltaram a rodar, que estou vinte anos mais velho, com menos vontade, com muito menos expectativas sobre tanta coisa e sobre tanto assunto. Está-se naquele estado de deixar rolar as coisas simplesmente, não julgar, não planear, não pedir nada. E profundamente desconfiado com as intenções dos outros. De pé atrás, como o povo costuma dizer.


Bom, o que importou é que o vinho estava com mais força e garra que eu. É o que interessa ao fim ao cabo, para aqui. Para beber aos copos, sem parar e sem complicar muito.

sábado, julho 16, 2016

Filipa Pato Bical&Arinto

Independentemente da qualidade de cada vinho, faz-me confusão, aliás sempre fez, devo dizer, ver escarrapachado em rótulos determinados chavões, que servem para pouco mais do que estragar esses rótulos. Por vezes, fica no ar uma sensação de pretensiosismo escusado. Devo dizer que não há necessidade.


Dão ideia, esses chavões, que querem mostrar, um pouco à força e por repetição, que não há marosca, que não existe intervenção, que é tudo autêntico, como é o caso. Em detrimento dos outros que poderão ser o contrário. Acho que, mais uma vez, não havia necessidade. Cada um é como é.
Se quem faz vinho, seja ele qual for, está certo das suas convicções, acredita numa determinada forma de estar, creio que não há, mais uma vez, a necessidade de mostrar ao mundo que trilha um caminho próprio. Pelo menos de forma ostensiva. Quem se interessa pelo assunto irá certamente notar as diferenças. Quem não se interessa, não vai querer saber. 


E o vinho em causa, pela qualidade que tem, não precisa que seja anunciado como sendo um vinho autêntico. Ele já o é. Bastaria apenas Filipa Pato Bical&Arinto. É preciso mais? Julgo que não.

quarta-feira, julho 13, 2016

Curtimenta segundo Anselmo Mendes

Serve o presente para informar vossas excelências que este vinho branco foi, até ao momento, um dos melhores vinhos brancos portugueses que bebi no corrente ano de dois mil e dezasseis. Um vinho que não me deixou indiferente e que prendeu a atenção do primeiro ao último trago. Na verdade, acrescento que foi bebido com enorme sorvidão até ao fim. 


Um vinho que revelou possuir várias camadas de sabores e de cheiros que foram cambiando de forma dinâmica, evitando que o bebedor caísse na monotonia, no enfado. Coisa que às vezes é rara.


Um vinho branco muito refinado, bem complexo, com uma austeridade e carácter muito pouco comuns no reino dos alvarinhos. Houvessem mais vinhos assim, por estas bandas.

sexta-feira, julho 08, 2016

Quinta dos Roques

E quando apenas dizemos que gostamos? E quando ficamos imensamente felizes com um vinho? E quando vemos que o que importa é o prazer, a alegria, a satisfação. É estar bem!?


E quando reparamos que a simplicidade do momento arreda para o lado todo e mais algum problema? O estado de quase harmonia, de paz, atinge-se na maior parte das vezes, sem a necessidade de complicarmos, sem a necessidade de estarmos a enfadar o próximo, com meia dúzias de palavras sem qualquer interesse para ninguém. 


Que se desfrute e que se aconselhe de forma simples, sem rodeios, sem isto ou aquilo. Que se diga: bebe e curte! O resto, acreditem, pouco importa. É tempo de simplificarmos. Resumindo: isto está muito bom. O Amândio diz que é para comprar, para beber e guardar. Eu acho que vou beber, pois não sei o dia de amanhã.

terça-feira, julho 05, 2016

A culpa é minha!?

A culpa é minha! A culpa é minha por tudo o que tive e por tudo o que não tive. A culpa é minha por ter perdido, por ter desistido. A culpa é minha pelo que disse e acima de tudo pelo que nunca disse.


A culpa é minha, por não ter feito aquela curva até ao fim, por não ter arriscado aquele niquinho. A culpa é minha. Só minha? Não. É tua, também. Tua, porque te escondeste no meio dos silêncios e em mil e uma desculpas fajutas. Tua, porque também fugiste, calaste, porque não quiseste, porque não lutaste. Não, a culpa não é só minha. É tua, também. É partilhada. É tua e minha. E tu sabes disso, mesmo que digas o contrário sempre.

segunda-feira, julho 04, 2016

No imenso reino da loucura!

Sabemos que tudo tem um preço e esse preço é justificável perante o volume da nossa carteira e segundo as nossas expectativas. É assim com quase tudo. Portanto, os vinhos não são diferentes. É verdade que o preço também reflecte a raridade, a qualidade (ou não), o peso da história. São um misto de variáveis, muitas vezes difíceis de avaliar ou de categorizar. Mas fatalmente tudo vai desembocar, como há pouco disse, nas expectativas que temos e ou se lhe reconhecemos valor e como tal se é justo ou não. Sei que é subjectivo este assunto.


Contudo, ainda fico surpreendido com o preço de alguns vinhos. Do tipo, assim do nada, armam-se em flores de estufa, em preciosidades, são colocados presunçosamente num patamar que não merecem e ou que pouco fizeram para o merecer, como se o preço o tornasse instantemente num produto de altíssima qualidade.


E por muito que se tente justificar o injustificável, torna-se difícil, se não incompreensível, como é que, sem se saber porquê, este ou aquele vinho custam, vá lá, os olhos da cara. Apraz dizer que estamos no reino da loucura e da falta de bom senso. Só pode. Ou sou eu que não compreendo. É o mais certo.

sábado, julho 02, 2016

Vinhas Velhas do Engenheiro

Devo dizer que há muito tempo, muito mesmo, que não pegava num vinho do senhor engenheiro. Não encontro qualquer razão plausível que justifique o meu afastamento. Talvez, porque ando mais interessado noutras coisas. Sinceramente não sei. As minhas razões são quase sempre injustificáveis. Mas adiante.



E sem mais delongas, porque é sábado e a malta quer ir para outros lados, registo apenas que curti este clássico. Abstraindo-me, dentro do possível, do que poderá ter ou não para além de uvas, assumo que têm andado pela cabeça a possibilidade de um vinho, seja ele qual for, ter isto ou aquilo, devo dizer que este Vinhas Velhas pareceu-me mais leve, mais fresco, mais limpo, mais tenso que o habitual. E francamente melhor no dia seguinte. Facto que tem acontecido com muitos vinhos brancos. Melhores nos dias subsequentes.