sexta-feira, setembro 30, 2016

Xistos Altos

Vá lá, uma coisa fofinha, querida. É sexta-feira e o fim-de-semana está aí. Digamos que serve como prelúdio para a copofonia que vem aí. 


Olhem, gosto do vinho pela elegância, pela finura, pelo elevado equilíbrio que tem. Embiquei para o vinho. Sabe-se lá porquê. 


Acima de tudo, bebe-se sem moer a mona. Bebe-se com comida, mas bebe-se melhor sem ela. Tomem, por isso, atenção ao que escolhem para acompanhar. Só lhe falta ter um poucochinho mais de nervo. Não era preciso muito. Só um nadinha de nada. Mas prontos, é um belo vinho que provavelmente não será do agrado de quem procure sensações mais pugentes, mais modernaças, mais voluptuosas, mais tropicais e muito mais imediatas. 

terça-feira, setembro 27, 2016

Nop! Não é para mim ...

Eu tentei. Acreditem. Tentei mais que uma vez. Foram várias as vezes que tentei mudar de opinião, mas em todas as vezes fiquei sempre com a mesma ideia, com a mesma conclusão. Não, não é para mim. Não dá mesmo. Podem-me dizer que é isto e aquilo. Que é feito desta ou daquela maneira. Não dá! Não é para mim. 



É por esta e por outras que cada vez menos entendo a coisa e admiro quem a entende. Vejo uma porrada de malta a dizer que sim e eu do outro lado a dizer que não. Ora bolas. Eles estão errados! Só pode. E após esta tirada, é tempo de regressar ao isolamento da toca. Quem quiser que me chame. Até à próxima. 

sexta-feira, setembro 23, 2016

Surpreendam-me!

Talvez seja resultado de alguma saturação, não sei, mas está complicado ficar (verdadeiramente) surpreendido, com a maior parte dos vinhos portugueses que vou bebendo. São bons, é certo, mas parece-me que existe sempre qualquer coisa que lhes falta.  Não sei o que é, assumo! Parecem que são mais do mesmo. Vai-se de norte a sul, do litoral para o interior, e a receita parece ser semelhante. E não há região que se safe. Ainda são poucos, muito poucos, os que arriscam criar qualquer coisa diferente. Nem que seja só um poucochinho. Não é preciso muito, só um poucochinho.


Vá lá, surpreendam-me, por favor! Dêem-me pistas, mas não me apontem lugares comuns. É que estou a afunilar cada vez mais as minhas escolhas, a reduzir o número de produtores que desejo revisitar. Está a ficar deveras preocupante. Vá lá, surpreendam-me.

quinta-feira, setembro 22, 2016

Quinta do Cerrado: Outros Tempos

Pois é! Pois é! Não estava à espera e nem sequer passou pela cabeça que poderia ter este vinho à minha frente. Na verdade, com a idade, dou comigo cada vez mais calado e ou em silêncio, quando tenho um copo com qualquer coisa que não faço ideia o que é ou que seja. As dúvidas são, agora, muito mais. A idade em vez de ajudar a limpar a visão, tem feito precisamente o contrário.


O que vos digo é que este vinho surpreendeu pelo equilíbrio, pela suavidade dos sabores, por se deixar beber com prazer. Não sendo um vinho de culto, nunca o foi, atrevo-me a dizer que foi quase o rei do momento. Quase, não tivesse a seu lado outro que o suplantou. Mas ainda assim, segurou-se no copo, sem morrer, sem decair, sem esmorecer durante longos períodos. 


Vingou pela enorme elegância que tinha, pela graciosidade que mostrou. Deixava-se beber, sem complicar. E isto é o melhor elogio que se pode fazer a um vinho.

terça-feira, setembro 20, 2016

Dão de outros tempos

Como isto é meu, só serve para mim, o post de hoje, à semelhança dos anteriores, não é mais do que um conjunto de nada. Fica resumido a fotos de um certo momento, em que se percorreram memórias, em que nos reencontrámos com factos e momentos há muito esquecidos. Só para mim.



Vinhos do Dão, brancos, que estavam perdidos algures num sítio qualquer. Vinhos que terão levado pancadas, porradas. Sofrido com o frio, com o calor. Andado aos trambolhões, de um lado para o outro. Tal como nós.



Eram extraordinários? Claro que não. Mas portaram-se bem, mostraram garbo e personalidade. Mostraram, acima de tudo, muita dignidade. Coisa que tem tendência a rarear.

segunda-feira, setembro 19, 2016

Alerta! Eles já estão no Douro!

Fico com a ideia que estes tipos estão perigosamente a espalhar-se por outras regiões. Os seus vinhos participam activamente naquelas impressionantes promoções, em que passam a vida com mais de cinquenta por cento de desconto sobre um preço qualquer. É obra! Nunca vou perceber isto. Ou melhor até percebo. Ou melhor desconfio. 



Agora temos Piteira no Douro. Vejam lá! Um Piteira que é de Xisto Negro. Já agora, será que iremos ter um Piteira Granito no Dão, um Piteira Calcário para a Bairrada? Ou ainda um Piteira Areias para a Península de Setúbal? E sempre em promoção, como convém. A bem do consumidor, porque tanto produtor como cadeia de distribuição são entidades filantrópicas. 

sexta-feira, setembro 16, 2016

Brut Nature by Quinta da Murta

Em jeito de café da manhã. Como é sabido, da vossa parte, pauto o meu comportamento pela falta de independência, logo não costumo ter qualquer pejo no que digo. Bom, vamos ao que interessa. O puto tem jeito para isto. Tem jeito para espumantes. É capaz de se tornar num homenzinho. Fico com a ideia que está mais focado, com as ideias mais organizadas. É por aí, pá!


Este 2013 é capaz de ser, para mim, o melhor espumante da Quinta da Murta que já bebi. É coisa muito séria e que merecia ser melhor divulgada, mais conhecida, mais vezes bebida. É capaz de ser, até, melhor ou igual que uma porrada de espumantes que andam por aí. Perde, isso é perceptível, por causa do menor valor acrescentado que a marca eventualmente poderá ter. Como disse, uma vez, não entendo a politica de promoção e difusão, por parte do produtor. Mas isso, são contas de outro rosário. E até à próxima. Fiquem bem.

sábado, setembro 10, 2016

Pára Tudo: Muros Antigos 2012

Ok! Vou dar um pouco a mão à palmatória. Digamos que é, vá, assumir que existem bons alvarinhos. Ou melhor: existem alvarinhos que enchem as minhas medidas. Assim é mais correcto, porque a maioria, e o universo é o meu, continua mostram um conjunto de características que assumidamente não aprecio. Não é exclusivo daqui, acontece o mesmo na maioria dos vinhos portugueses, apesar das melhorias que temos vindo assistir. Estão porreiros, estão bem feitos, estão bem trabalhados. Por vezes, trabalhados demais. Tecnologicamente perfeitos, mas despidos de alma e personalidade na maior parte dos casos. Adiante. 


Olhem, gostei bué! Gostei mesmo, pá! Gostei tanto que fui bebendo com uma sofreguidão voraz, esvaziando a garrafa com uma velocidade estonteante. Copo atrás de copo, a coisa foi fluindo, foi indo. 


O vinho estava num estado de equilíbrio e finura assinaláveis, conseguindo, ainda, apresentar força, frescura, nervo e secura. Nada amorfo, como muitos dos seus congéneres, que caiem repetidamente num marasmo que enfadam até o tipo mais ecléctico (acho que já me referi nestes termos por variadas vezes). Apetece dizer, por isso: Pára tudo, que é disto que falo.

quinta-feira, setembro 08, 2016

Casas Altas Riesling

Resquícios da silly season. Não dando grande valor ao facto da casta vir declarada no rótulo, até porque não percebi muito bem se a mesma respeitava todas as premissas, sou tipo para assumir que é um vinho branco bem porreiro e com alguma diferenciação. 


Um vinho que curti, que até deu alguma pica a beber, mas sem perceber muito bem se era mesmo de facto um riesling a sério. Bom, podemos dizer que é um riesling português, feito na Beira Interior Norte, com um nível de frescura bem mais interessante que alguns congéneres feitos mais para sul. Talvez pelo insistente toque petrolado fosse lá. Dizem ser uma das características da referida casta. De resto, como costumamos dizer, bebeu-se e bebeu-se até ao fim.

terça-feira, setembro 06, 2016

Inconsequências

Ok! A ideia é gira! Vá, tem alguma piada, mas é só! Digamos que é uma brincadeira inconsequente. Um vinho para o Bacalhau. Ainda cheguei acreditar que, após mais uma brilhante criação, surgisse um vinho para as migas, para o ensopado de borrego, para acompanhar a canja, a sopa de tomate, para as baldroegas, para isto e para aquilo. Mas não. Ficámos só com um vinho para o bacalhau. 

Desculpem lá a sofrível qualidade das fotos. Às vezes, acontece.

Mas ficam as questões: É para o bacalhau cozido? Frito? Para a salada que na gíria popular se chama punheta? Para o bacalhau assado no forno? Ou nas brasas? Ou é para tudo? E já agora, porque não um vinho para a ressaca? Para o dia seguinte? Isso é que era de valor.