segunda-feira, dezembro 11, 2017

Gostei! Gostei Muito! Soube-me muito bem...

Gostei! Gostei Muito. Soube-me muito bem. Aguentou um peixe assado no forno. O peixe era de aviário. Foi o que se arranjou. Mesmo assim, foi caro. Disseram-me que, apesar de ser de aviário, era criado de forma diferente. Bom, na verdade, como muitas vezes peixe de gaiola.



Este estilo de vinho é incomensuravelmente superior ao dito clássico. Apraz dizer, portanto, que não sou um tipo com inclinações clássicas, no que respeita ao produtor. Aqui, neste caso, temos vinho a saber a vinho e não a um aglomerado de frutas tropicais. E era só, para hoje.

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Pelluda da Pellada

Só para dizer que é vinho que sabe literalmente a vinho. Já viram a idiotice da coisa? Um gajo abrir uma garrafa, completamente descansado e despreocupado, e reparar que o que sai lá de dentro é um liquido que sabe mesmo a vinho. Que disparate. 



Fiquei lixado. Acreditem! Ser confrontado com um vinho. Um vinho! Assim, sem mais nem menos. É uma fraude, ter que beber um vinho. Que brincadeira de mau gosto. Vou reclamar por causa deste enorme imbróglio que me criaram. 

sábado, dezembro 02, 2017

A Pura Seda do Dão

Pois é! Sei cada vez menos. Sei cada vez menos sobre tudo. Sinto que andei perdido no meio de presumíveis verdades, achando que sabia uma enormidade sobre tudo e mais alguma coisa. Fala-se de elegância e de finura de forma profundamente leviana, sem sabermos, na maior parte das vezes, o que querem dizer, de facto. Fala-se, porque se fala, porque está na moda, agora, usarmos estes adjectivos.


Levei um murro no estômago com este vinho. Um murro que me deixou abanado, tonto, em estado de choque. Perdido. Procurava por isto. Era disto que queria. É esta a ideia que tinha, do que foram ou do que eram os vinhos do Dão.


Profundamente delicado, falsamente frágil, com um equilíbrio dificilmente igualável. Um vinho que nos encanta, a mim encantou-me, que nos embala ao som de uma melodia suave, branda. Que nos encaminha para estados de alma, que pensei não serem possíveis de atingir. Que nos amacia. Vai-se, sem se dar conta que se vai. Não se vai empurrado, nem se vai obrigado ou coagido. Vai-se de livre vontade. Atrevo-me a dizer que estive muito próximo daquilo que espero e gosto num vinho tinto. Principalmente num vinho tinto do Dão. Do que era o Dão. Ou do que foi. Não sei.

terça-feira, novembro 28, 2017

O Pinot do Pedro Garcias

Li o artigo do Pinot escrito pelo Pedro Garcias, com o mesmo gozo de sempre. E como sempre, está redigido naquele estilo picante e acutilante. Gosto de gente que sai da caixa do politicamente correcto, do fofinho, dos beijinhos, e não se coíbe de emitir a sua opinião, independentemente se tem razão ou não. Ainda por cima, é uma opinião vinculada por um jornalista e crítico, que também é produtor.

Pessoalmente, nunca escondi a minha enorme perplexidade e estranheza quando vejo castas estrangeiras a serem introduzidas em regiões como os Verdes/Minho, o Douro, o Dão e a Bairrada. São as mais clássicas (no que isto quererá dizer) e que sempre se apresentaram ao mundo, orgulhosas das suas castas nativas. Mas depois, vemos (vejo) que a prática não é bem assim. O que apraz dizer que a diversidade e riqueza das castas portuguesas é, provavelmente, uma das maiores falácias no mundo dos vinhos, em Portugal. Pelos vistos, existe necessidade de ir buscar lá fora outras castas para compor o ramalhete. Alguma coisa não bate certo e eu não sei qual é.
Mas se atacamos facilmente aqueles se socorrem de variedades estrangeiras, o que dizer daqueles que usam as castas nacionais e as transformam em vinhos sem qualquer originalidade, profundamente manipulados, sem qualquer carácter ou identidade? Completamente abastardados. O que dizer destes? Não estarão, estes últimos, a envergonhar-nos também, de uma forma mais vil? Enganando-nos.

segunda-feira, novembro 27, 2017

ALLGO que aconselho Vivamente!

Quando um gajo, numa sexta-feira, farto da porra da semana, entra num tasco, algures nos arrabaldes da margem sul do rio Tejo, e encontra uma pérola destas, perdida num armário refrigerante, no meio de tanta coisa trivial, percebe que nem tudo é assim tão mau. 


E num ápice, aquele momento que servia apenas para enfiar no bucho meia dúzia de coisas indiferenciadas, transforma-se em algo muito mais digno, muito mais aprazível, muito mais contemplativo. Como se tivesse sido feito um reset. Bem dito vinho! Bem dita a ocasião.

Colheita 2014
Estava, o vinho, num estado de excelente equilíbrio, adulto, sem qualquer impressão exótica e exuberante. Perfil sério e sóbrio, profundamente seco. Mas o que importa ou importou é que me encheu as medidas, aconchegou-me a alma, amaciou-me a dor da distância. É al(l)go que aconselho vivamente a provarem. Não! A beberem. 

quarta-feira, novembro 22, 2017

Aos Gajos Loucos ...

Ainda bem que existem gajos loucos, que fazem vinhos loucos, que se borrifam para o que a média quer e o que os conhecedores, especialistas dizem e profetizam lá do alto do altar. Ainda bem que não ligam puto


É que do outro lado, também existe malta que não liga puto para o que a média quer e para o que os guias espirituais ditam sobre o assunto. Que não quer saber dos bem vestidos, desta terra.


Ainda bem que existem loucos, neste mundo. Tornam-no muito mais divertido, bem mais irrequieto, muito mais louco. Sorte nossa.

sábado, novembro 18, 2017

Que se lixe! Merece um 20...

Todos conhecem, por certo, o provérbio popular mais vale cair em graça do que ser engraçado. A sorte, a empatia, a arbitrariedade, o saber comer e calar, a cunha, aquele empurrão no momento certo são factores que podem ditar o destino de alguém. São, ao fim ao cabo, coisas da vida. É preciso saber e ter arte para cair no goto. Caindo no goto, torna-se tudo muito mais fácil. Abre-se um número infindável de portas, portões e portinhas. Infelizmente, este nível de fortuna não atinge a maioria. E muitos recebem louros em demasia. Nasceram de cu virado para a lua.


Este produtor, vou dizê-lo sem qualquer pudor, é dos poucos tesouros que o Dão ainda conserva. Os seus vinhos, não sei se estão bem feitos, se tem defeitos ou não, encerram dentro deles uma alma enorme. Possuem aquele carácter bem típico dos vinhos do Dão, de outros tempos. Tempos que, perdoem-me, muitos já esqueceram, que não fazem ideia do que eram, mas que quase todos tendem a querer destruir.
Este Encruzado é simplesmente um estrondo de vinho. Não, não me enganei no que disse. Não é, certamente, um vinho para todos. É, antes de mais, um vinho provocatório, desafiante. E não sei se foi propositado ou resultado do acaso.


Numa época em que quase tudo recebe grandes louvores, é acariciado e paparicado por meio mundo, em que um 17, 18 ou 19 se tornaram o pão nosso de cada dia, este vinho merece um 20. Um 20 pela sua rusticidade apaixonante. Um 20 pela forma como consegue transportar dentro de si, toda a alma da pedra e da frescura acutilante da Beira Alta. Um 20 pela quantidade de arestas que tem. Não, não é um vinho bonito, mas antes, e felizmente, rude. Acima de tudo, genuíno.
É literalmente um vinho que não serve para a mesa do Rei. É para ser celebrado junto daqueles que estoicamente se lembram de como eram as coisas antigamente. Um autêntico compêndio de memórias.

quarta-feira, novembro 15, 2017

Encontros com o Vinho

No meio da época alta dos eventos de vinho, pelo menos na capital do império, que balanço a fazer após a realização dos mais esperados Encontros com o Vinho (o da Vinho Grandes Escolhas e o da RV - Essência do Vinho)?


Não tenho ouvido, visto ou lido grandes reacções, por parte de quem os visitou e que naturalmente fez comparações. É claro que existem publicações, comentários elogiosos e vitoriosos por parte dos adeptos de cada uma das equipas responsáveis de cada um dos eventos. É normal e compreensível.


Pessoalmente, visitei por breves horas o Grandes Escolhas Vinho & Sabores. A falta de paciência já não me permite provar tudo e mais alguma coisa, só para fazer currículo. Ainda assim, molhei os lábios numas coisas bem interessantes. Gostei do espaço, do seu conforto, desfrutei da ausência de encontrões e empurrões, não presenciei copos partidos, nem bandos à procura de armazenar a maior litragem possível. Gostei da sobriedade do evento. A panóplia de produtores era vasta e diversificada, para todos os gostos e feitios. Pelo que fui reparando, o cardápio proposto pela Vinho Grandes Escolhas pareceu-me foi bem maior do que aquele que foi proposto pela Revista de Vinhos - Essência do Vinho para Encontro com o Vinho e Sabores, que não visitei.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Horácio Simões: Moscatel Roxo Superior 2005

O tempo que um Moscatel ou um Porto passa em madeira (tonel ou barrica) é uma variável muito importante na complexificação deste tipo de vinhos. Muitas vezes, até usamos expressões como engarrafamento mais tardio ou mais recente. Não sabendo muito do assunto e nem querendo tocar em questões técnicas, que estão fora do meu alcance, tenho sido confrontado com vinhos Moscatéis da mesma colheita, mas engarrafados em alturas diferentes, com estados de evolução e complexidade bem diferentes. 


Invariavelmente aqueles que estiveram mais tempo de estágio na madeira, sofrendo as agruras da oxidação, são os que apresentam um nível de aromas e sabores muito menos imediatos, bem mais profundos, muito mais interessantes e sérios. 


Este vinho Moscatel Roxo é um destes casos. Tenho seguido a sua evolução, desde que foi lançado, e posso afiançar que agora está num estado que o catapulta para o grupo dos melhores Moscatéis da região de Setúbal. A sua imensa frescura, aliada àquele toque a vinagrinho, bem como uma porrada de impressões a especiaria que parece ter, colocam este vinho num patamar onde poucos Moscatéis de Setúbal, da nova geração, conseguem chegar. À excelência. São, por isso, cerca de 20 euros muito bem empregues. E tenho dito.

quinta-feira, novembro 09, 2017

A Cor dos Brancos

Alerta à navegação! Isto não tem nada a ver com a cor da pele dos humanos. Só para não criar mal estar desnecessários ou interpretações enviesadas. Estamos, portanto, esclarecidos.
A minha dúvida é muito simples. Na verdade, já tinha tocado no assunto uma vez aqui. Têm por hábito reparar na cor dos vinhos brancos que bebem?


Nos últimos tempos, dei comigo, a dar mais atenção à cor que os vinhos brancos possuem. E comecei a ficar, assumo perante vós, um pouco incomodado, tipo pé atrás, com a tonalidade de alguns deles. Possuem cores tão esbatidas, quase a roçar a água. Quase, quase transparentes. Até se fica em dúvida, se é vinho ou outra coisa qualquer. E influenciado ou não, fatalmente os vinhos acabam por saber-me invariavelmente a algo meio desenxabido. A algo, apenas, com álcool. As perguntas são muito simples e directas: Porque que é que isto acontece? Manipulações a mais?

segunda-feira, novembro 06, 2017

Vinha Othon: Uma questão de Tendência

Todos temos inclinações. Preferimos determinada coisa em detrimento de outra. Muitas vezes, sem razão justificável. Na maior parte das vezes, nem sequer uma justificação se consegue dar. É assim, porque é assim. Basta gostar mais e já chega. É suficiente. Para mim, é claro.



Sempre gostei mais do Othon do que do Reserva da Vinha Paz. Sempre me pareceu mais elegante, mais fino, mais clássico. Muito mais sedoso. Gosto da sua sobriedade, da sua falta de exuberância. Da sua aparente falta de modernidade. Não sei se me estão a entender. 

quarta-feira, novembro 01, 2017

Os 19

Reparei no outro dia que quatro vinhos tintos da região do Douro (Poeira 44 Barricas 2014, Quinta da Leda 2015, Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva 2015 e Quinta do Monte Xisto 2015) obtiveram nota 19 numa revista da especialidade. Sem contar com os 18 e 18,5. Já tinha reparado, aqui e além, que outros vinhos tinham, também, sido agraciados com estas avaliações. Não quero, nem pretendo, não desejo, não é minha intenção questionar o real valor dos vinhos e muito menos a seriedade de quem atribuiu as classificações. Fica aqui o aviso público, só para não pensarem, como é hábito, que estarei a desdenhar. Infelizmente no país que vivemos, quase que precisamos pedir desculpas só para levantar o dedo e fazer uma mera pergunta (inha). É o medo da segregação.


Não deixei de reter-me, por momentos, nas páginas da revista Vinhos Grandes Escolhas, num estado que não consegui definir. Devo partilhar com vocês que gostava, um dia, provar estes e outros vinhos do género para compreender a dimensão das classificações deste calibre, num exercício comparativo. Isoladamente, torna-se mais complicado compreender, entender. Acho eu.
Sei que durante anos, era muito mais fácil aceitar que um vinho generoso recebesse 19 valores, do que um vinho tranquilo. Por isso, será que estaremos a entrar numa nova era, em que as barreiras que limitavam a atribuição destes valores estão a cair? Será que já não existe tanto medo, receio ou pudor? E que comparação podemos estabelecer, a este nível, entre os nossos vinhos (cada vez mais bem classificados internamente) e os outros lá de fora? Ou tudo isto que está acontecer cá dentro, não é mais do que uma projecção do que está suceder, também lá fora?

segunda-feira, outubro 30, 2017

Epá! Quinta do Cardo Vinha do Castelo

Vou armar-me em conhecedor profundo. Nunca consegui dizer mundos e fundos de vinhos estreme de Tinta Roriz (salvo raríssimas excepções). Nunca lhes achei grande graça. Nunca me fizeram soltar qualquer ai de admiração ou reconhecimento. Nunca corri para comprar, acho eu, qualquer vinho que só tivesse Tinta Roriz. Sempre os achei pouco mais que porreiros (tirando um ou outro).


Epá, neste caso, a coisa é bem diferente, meus caros seguidores, amigos e desamigos. Aqui temos um vinho com uma profundidade que me deixou de queixo caído. Um vinho que fez arregalar os olhos, logo no primeiro trago. Repleto de cheiros cativantes, insinuantes e muito complexos. Um autêntico bouquet de sensações campestres. Na boca, a elegância, finesse e frescura primam sobre tudo.


Basicamente, meus caros, estive perante um vinho que adorei e pelo qual me apaixonei. E sem qualquer controle nas palavras, arrisco a dizer que estive perante um grande vinho. Independentemente se foi feito só com Tinta Roriz ou não.  Só não sei se vale 17, 18, 19 ou ainda 20 valores, mas isto fica para quem sabe do assunto à séria.

domingo, outubro 29, 2017

Portugal Boutique Winery: GOBLET

Conhecia o projecto apenas pelo que ia vendo nas redes sociais. Nunca tinha provado qualquer vinho criado pelos miúdos Nuno Aguiar e António Olazabal. Pelo que fui vendo e acompanhado, aqui e ali, reparava na enorme paixão que pareciam imprimir nas suas ideias. Apesar da juventude e da loucura que mostravam, tudo me pareceu coerente, bem pensado e programado. Acima de tudo, os miúdos estavam a dar vida a um sonho.


Fiquei profundamente agradado e entusiasmado com o que provei. Os brancos, genericamente, apaixonaram-me. Limpos, crocantes e tensos. Cheios de nervo e com muita frescura. Gostei da sua juventude, da sua inquietude. Digamos que fiquei convencido. Ganharam um lugar de destaque na minha restrita lista de aquisições.


O palhete, o vinho que ilustra a coisa de hoje, é daqueles vinhos que se bebem assim num clique. Do tipo zás e foi todo. Leve, directo, sádio e nada pesado ou cansativo. Com uma secura bem colocada e muito fina (nem sei se isto se pode dizer), que limpa a boca, que faz salivar, que nos faz pedir por mais um copo. Um vinho que se comporta muito bem à mesa, ao redor de petiscos ou simplesmente no apoio a uma simples converseta. Uma só garrafa, por isso, pode tornar-se insuficiente. Fiquei adepto e rendido. E com isto tudo, aumentei o número de amigalhaços.

quinta-feira, outubro 26, 2017

Sem novidades!

Isto de um tipo ter presumivelmente um blogue de vinhos e não conseguir competir com os seus pares, por falta de novidades ou referências a vinhos mais ou menos icónicos ou mais ou menos desejados ou ainda mais ou menos famosos, torna a minha tarefa bastante complicada. Estou ao nível, com todo o respeito, de uma equipa de futebol lá do fundo da tabela.


É tramado. Assumo. Bem tento vasculhar por alguma coisa que, vá lá, valha a pena partilhar, mas caramba não existe nada. Para além dos vinhos de amigalhaços, apenas pontificam imagens sem qualquer interesse público. Estou por isso, sem novidades para vos dar. 

terça-feira, outubro 24, 2017

Anselmo Mendes: 3 Rios

De relance olhei para o lado. Ia de mão dada com uma das minhas filhas. A mais nova. Reparei com alguma admiração para a presença deste vinho. Estava numa das prateleiras daquele espaço onde se oferece vinho. Devo dizer que fiquei meio perplexo. 



Abriu-se no dia, logo à noite, com aquela companhia que não existe. Encheu-me a alma pela sua ligeireza, pelo seu perfume, pelo seu equilíbrio. Cristalino e limpo. Foi acima de tudo um feliz reencontro com um vinho que não bebia há uma porrada de anos. 

domingo, outubro 22, 2017

Roçando a perfeição: Quinta da Vegia

Simplesmente mais um momento a sós. Mais um daqueles momentos em que desfrutamos prazeres de forma solitária, em que se pensa em tudo e em nada. Estamos por ali. Vagueia-se.
Pouco importará, para vocês, como conheci o produtor da Quinta da Vegia. Acredito que não terá qualquer relevância se foi assim ou assado. Se foi neste ou naquele lugar. Sei que foi há uma porrada de anos. Nos tempos em que se fazia um dos melhores eventos de vinhos da capital do Império: Dão & Douro. Evento que se eclipsou.


A garrafa estava ali a um canto, guardada para uma qualquer ocasião. Para um qualquer encontro com aqueles gajos que gostam de beber à séria. Que dizem, sem apelo nem agravo o que lhes vai na alma. Sem filtros. Uns párias, uns ordinários que não têm respeito pela ordem. Olhados de lado. Num gesto instintivo, peguei nela e abri-a. Sem mais delongas. 


Não sei se existem vinhos perfeitos. Pouco importa. Sei que existem vinhos que nos enchem a alma na ocasião certa e que por isso se tornam (quase) perfeitos. Completam a refeição. Acompanham a conversa, mesmo que ela seja um mero monólogo. E pouco importa se eles, os vinhos, cheiram ou sabem a isto ou àquilo. Para o caso, só confirmei porque gosto de vinhos do Dão. Porque, quando bem feitos, são o pináculo da frescura, da elegância, da finura, capazes de meter num simples copo todos aqueles cheiros de uma floresta que foi assassinada. 

sexta-feira, outubro 20, 2017

Nada

Por que raios, ninguém ainda pensou em baptizar um vinho, de uma região qualquer, com o nome de Nada? Seria o vinho perfeito para dias sem ideias, sem conversas, sem namoros, sem discussões.

Simplesmente bebia-se um ou mais copos de Nada, Colheita ou Reserva, em dias em que nada acontece ou aconteceu. Perfeito, portanto, para momentos sem coisa nenhuma para dizer e fazer. Nem tolices. Apenas Nada até o copo ficar sem nada. Seria também perfeito para responder à mulher e ao médico, quando nos perguntam o que se andou bebeu. Nós poderíamos responder tranquilamente: Bebi Nada! 

quinta-feira, outubro 19, 2017

Estava Perfeito ...

Digamos que foi outro tónico. Tónico para a alma e para o corpo. Como tal, serviu e cumpriu na plenitude o que esperava dele. Vinho da terra. Terra que agora está diferente. 


Esta garrafa, esta mesmo, estava perfeita. Não a garrafa, naturalmente. O vinho. O vinho estava perfeito. Deu enorme prazer. O seu brilho contrastava com a escuridão que se tinha abatido lá na terra.


Não me apetece dizer mais. Não consigo. Não estou para, porque o vinho não merece, descrever de forma uma porrada de cheiros e sabores, sem alma e sem conteúdo. Não me apetece. Apetece dizer, apenas, que estava perfeito.

sexta-feira, outubro 13, 2017

Um Tónico: Somontes Encruzado

Mataram-se mais uma vez as saudades. Foi um tónico. Foi uma forma de tornear a privação. De forma simples e directa, sem grandes coisas, sem grandes extras, sem grandes elaborações, foi possível saltar para aquele lugar muito especial. 


Foram uns quantos minutos. Não muitos, mas suficiente para sentir no corpo todos aqueles cheiros, aqueles sabores, aquela frescura tão típica. Tão nossa. Apesar de fugacidade do momento, reanimou o ânimo. 

terça-feira, outubro 10, 2017

Fezada, Tiro de Sorte, ou foi feita Justiça ...?

Acredito que seja um exercício muito complicado de se fazer. Que não seja possível ou fácil ter uma resposta óbvia.
Compreendo que ao fazerem um vinho, se criem as melhores expectativas, se perspective um determinado sucesso. O objectivo é que o vinho seja consumido, apreciado, vendido, elogiado. Todos nós gostamos de ser reconhecidos pelo trabalho que fazemos. É humano, é normal. Faz parte da vida.


Percebo que fiquem desiludidos, quando não conseguem obter o reconhecimento que esperavam. Mas quando levam com um 17, um 18 ou mais, olhando para a concorrência, sentem que é mesmo merecido ou, pelo contrário, acham que foi uma fezada? Um tiro de sorte? Ou que chegou a vossa vez? Ou que finalmente foi feita justiça?

domingo, outubro 08, 2017

Celestino Dominó: Que Porra!

Quase que vim correr para aqui, só para dizer que gostei desta porra. Gostei para caraças. Daqueles vinhos que se bebem aos copos, uns atrás dos atrás dos outros. Bebem-se sem pensar, sem custar nada. Em que a garrafa se esvazia num instante, num ápice. Num abrir e fechar de olhos, desaparece. Puf!


De cor alaranjada, feito só com Moscatel de Setúbal, segundo consta, cheira a tanta coisa ou a nada e sabe tanto ou nada. Inusitado e fora de modas. Acima de tudo, despreocupado, descontraído, divertido, puro e simples e sei lá mais o quê.


Atrevo-me a dizer que será provavelmente o melhor Moscatel, não generoso, que bebi nos últimos tempos. Que porra de vinho, só para ser bem educado e não criar incómodo aos mais sensíveis.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Maria João: Ai Ca Bom ou Ca Boa?

Já falei nele, mais que uma vez, mas nunca é de mais repetir, quando existem motivos válidos (e bons) para isso. Voltei a comprar uma garrafa, depois de ter limpo o meu stock. 


Meus caros, então não é que este vinho continua a evoluir, a ganhar qualidades, a melhorar? Num estádio de grande afinação e muito equilíbrio e longe, parece-me, de definhar. Um vinho que tem aquela frescura dos vinhos brancos do Dão, capaz de suportar toda a fruta que possui, bem como controlar aquelas marcas do estágio em barrica. Está Bom, bem Bom, muito Bom. Basicamente, Ca Bom


Um vinho para combinar, quase na perfeição, com peixe potente, volumoso, assado nas brasas ou no forno. Posso dizer que está um filho da mãe de vinho. Para ser educado.

terça-feira, outubro 03, 2017

Tapada de Coelheiros: Epá, bem bom!

Epá, bem bom. Podia ficar por aqui e bastava, mas vou dizer mais qualquer coisinha, nem que seja para encher um pouco mais a página. São sempre mais alguns segundos de tempo de leitura que se ganham. Importante para os rankings.


Tapada de Coelheiros pertencia ao grupo restrito de vinhos alentejanos que tinha por hábito comprar. O leque das minhas opções, como devem adivinhar, não era, nunca foi, muito extenso. Com o advento do admirável mundo novo dos vinhos portugueses, em que as novidades pululavam (que palavra tão eloquente) todos os dias, acabei por relegar para planos subalternos os vinhos deste produtor. Tenho que assumir publicamente que foi uma parvoíce.


Termino a coisa de hoje, como comecei. Epá, bem bom. Um vinho branco com personalidade, cheio, profundo, que satisfaz, que tem acutilância. Que acompanha comida, de forma garbosa. Basicamente caiu que nem ginjas. E quando assim é, não se pode pedir mais. Tenho dito. 

segunda-feira, outubro 02, 2017

Auto de Inutilidade

Este é o chamado post inútil. Ou se quisermos o post mete nojo, que serve apenas para mostrar à malta, que também vou bebendo umas coisas raras, estranhas, diferentes. Porque a grande maioria da malta não faz ideia do que se trata, onde arranjar, quanto custa. Portanto é estar a mostrar algo que virtualmente não existe. Toma, toma, toma...



Naturalmente, dá para perceber, que este vinho foi oferecido por um grande amigalhaço. Um amigalhaço dos quatro costados. E quem não gosta de ter gajos destes que, volta na volta, espetam em cima da mesa vinhos deste calibre?

quinta-feira, setembro 28, 2017

Quem dá uma ajuda?

Enquanto procurava por fotos de vinhos de amigalhaços para promover, publicar e fazer publicidade, reparei que ainda tinha guardado na memória do telemóvel duas fotos de um vinho. Apenas diferem na colocação do copo e na presença de uma migalha na toalha de refeição. Ah, reparei que numa delas, a da migalha, também está o saca-rolhas. Parte dele. Meros pormenores estéticos. 


Colocando de lado o facto de ser um vinho comemorativo da Adega Cooperativa, temos ou tínhamos aqui um exemplo de como é que uma pequena COOP do Dão, em comparação com as suas congéneres da região, conseguiu fazer algo personalizado, meio diferente, com laivos de classicismo muito curiosos. Tudo isto a um preço bem porreiro. Algumas boquinhas deviam ter provado este vinho. 


A Porra disto tudo é que agora gostava de ter o vinho e não o consigo encontrar. Quem dá uma ajuda?  Estupidamente não me abasteci convenientemente. Um gajo anda sempre a contar o guito.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Quinta dos Roques: Encruzado de 2015

Não, não vos trago nenhuma novidade. A maior parte de vocês já o deve ter bebido, mais que uma vez. O nome do produtor e casta são velhos conhecidos. Respeitados no meio. Por isso, desculpem lá, a monotonia que isto está a ser.


Costuma-se dizer que a última colheita é sempre a melhor. Não sei se é o caso, mas de qualquer modo posso afiançar-vos (gostei desta palavra) que este vinho está a preparar-se para ser um dos melhores encruzados feitos por este produtor e um dos melhores da região.


Caminha para um equilíbrio e finura assinalável, onde a fruta, a madeira e aquela frescura tão típica do Dão se envolvem de forma coerente. Digamos que está a ficar ainda mais afinado, sénior e mais adulto. Numa linguagem brejeira e sem qualquer cuidado, diria que está um vinho do caraças. É, efectivamente, um valor seguro. Colheita após colheita, não falha, não desalinha. Mais coisa menos coisa, não nos deixa insatisfeito ou desiludido. Um exemplo de consistência.

domingo, setembro 24, 2017

Porque não oferecem?

Expliquem-me, por favor, como é possível? Como é possível que existam promoções deste calibre? As diferenças entre os eventuais preços reais e os promocionais começam a ser cada vez maiores. Quase demenciais. Qualquer dia, irão oferecer vinho. Não me digam, por favor, que são os produtores a suportar estas rebaixas de preço. Não acredito, porque todos nós sabemos que estamos perante marcas feitas de propósito para as algumas cadeias de supermercado. 


Não quero acreditar que a malta, o vulgo tuga, que compra estes vinhos (não discuto a sua qualidade) acredite (ou continue a acreditar) piamente que estas promoções são mesmo verdadeiras, que são mesmo genuínas. Esta porra faz-me, e continua a fazer-me, uma enorme confusão na mona. Não há maneira de ser compreendida.


Só queria que uma alma caridosa me explicasse tim por tim como é que isto acontece. Como é possível que um vinho tenha descontos na ordem dos 70%. Toda esta treta tem ares de aldravice. Ou sou estarei, mais uma vez, a exagerar, a ver coisas que não existem? A ser mais um a perturbar este mundo cor-de-rosa.

quinta-feira, setembro 21, 2017

Quinta da Bacalhôa: Tenho que admitir que ...

Bom, larguemos aqueles assuntos que são menores, mas que no fundo divertem-nos e animam a coisa. Decididamente alguma malta leva isto tudo muito a sério. Mas cada um na sua e passemos ao que interessa: A encíclica de hoje e provavelmente a última da semana.
Epá, tenho que admitir publicamente que gostei deste vinho (branco). Gosto quando gosto, não gosto quando não gosto. Digo-o sem qualquer rodeio, ressalva ou mas. Gostei.


Gostei francamente do vinho. Soube-me bem, caiu-me bem. Elegante, sóbrio, pouco exuberante, num registo muito limpo. Com uma curiosa fragilidade que me cativou. Daqueles vinhos, perdoem-me a ligeireza das minhas palavras, que se vão bebendo tranquilamente, sem nos irritar, sem se sobreporem a tudo o resto.


Posso partilhar, até, que foi baixando os níveis de ansiedade que carregava em cima do lombo. Um tipo, às vezes, precisa de algo que coloque ao nível do chão estados de alma menos desejados. Talvez, talvez, precisasse de um pouco mais de nervo, de tensão, de energia. Assim teríamos aqui uma coisa do caraças.