segunda-feira, outubro 30, 2017

Epá! Quinta do Cardo Vinha do Castelo

Vou armar-me em conhecedor profundo. Nunca consegui dizer mundos e fundos de vinhos estreme de Tinta Roriz (salvo raríssimas excepções). Nunca lhes achei grande graça. Nunca me fizeram soltar qualquer ai de admiração ou reconhecimento. Nunca corri para comprar, acho eu, qualquer vinho que só tivesse Tinta Roriz. Sempre os achei pouco mais que porreiros (tirando um ou outro).


Epá, neste caso, a coisa é bem diferente, meus caros seguidores, amigos e desamigos. Aqui temos um vinho com uma profundidade que me deixou de queixo caído. Um vinho que fez arregalar os olhos, logo no primeiro trago. Repleto de cheiros cativantes, insinuantes e muito complexos. Um autêntico bouquet de sensações campestres. Na boca, a elegância, finesse e frescura primam sobre tudo.


Basicamente, meus caros, estive perante um vinho que adorei e pelo qual me apaixonei. E sem qualquer controle nas palavras, arrisco a dizer que estive perante um grande vinho. Independentemente se foi feito só com Tinta Roriz ou não.  Só não sei se vale 17, 18, 19 ou ainda 20 valores, mas isto fica para quem sabe do assunto à séria.

domingo, outubro 29, 2017

Portugal Boutique Winery: GOBLET

Conhecia o projecto apenas pelo que ia vendo nas redes sociais. Nunca tinha provado qualquer vinho criado pelos miúdos Nuno Aguiar e António Olazabal. Pelo que fui vendo e acompanhado, aqui e ali, reparava na enorme paixão que pareciam imprimir nas suas ideias. Apesar da juventude e da loucura que mostravam, tudo me pareceu coerente, bem pensado e programado. Acima de tudo, os miúdos estavam a dar vida a um sonho.


Fiquei profundamente agradado e entusiasmado com o que provei. Os brancos, genericamente, apaixonaram-me. Limpos, crocantes e tensos. Cheios de nervo e com muita frescura. Gostei da sua juventude, da sua inquietude. Digamos que fiquei convencido. Ganharam um lugar de destaque na minha restrita lista de aquisições.


O palhete, o vinho que ilustra a coisa de hoje, é daqueles vinhos que se bebem assim num clique. Do tipo zás e foi todo. Leve, directo, sádio e nada pesado ou cansativo. Com uma secura bem colocada e muito fina (nem sei se isto se pode dizer), que limpa a boca, que faz salivar, que nos faz pedir por mais um copo. Um vinho que se comporta muito bem à mesa, ao redor de petiscos ou simplesmente no apoio a uma simples converseta. Uma só garrafa, por isso, pode tornar-se insuficiente. Fiquei adepto e rendido. E com isto tudo, aumentei o número de amigalhaços.

quinta-feira, outubro 26, 2017

Sem novidades!

Isto de um tipo ter presumivelmente um blogue de vinhos e não conseguir competir com os seus pares, por falta de novidades ou referências a vinhos mais ou menos icónicos ou mais ou menos desejados ou ainda mais ou menos famosos, torna a minha tarefa bastante complicada. Estou ao nível, com todo o respeito, de uma equipa de futebol lá do fundo da tabela.


É tramado. Assumo. Bem tento vasculhar por alguma coisa que, vá lá, valha a pena partilhar, mas caramba não existe nada. Para além dos vinhos de amigalhaços, apenas pontificam imagens sem qualquer interesse público. Estou por isso, sem novidades para vos dar. 

terça-feira, outubro 24, 2017

Anselmo Mendes: 3 Rios

De relance olhei para o lado. Ia de mão dada com uma das minhas filhas. A mais nova. Reparei com alguma admiração para a presença deste vinho. Estava numa das prateleiras daquele espaço onde se oferece vinho. Devo dizer que fiquei meio perplexo. 



Abriu-se no dia, logo à noite, com aquela companhia que não existe. Encheu-me a alma pela sua ligeireza, pelo seu perfume, pelo seu equilíbrio. Cristalino e limpo. Foi acima de tudo um feliz reencontro com um vinho que não bebia há uma porrada de anos. 

domingo, outubro 22, 2017

Roçando a perfeição: Quinta da Vegia

Simplesmente mais um momento a sós. Mais um daqueles momentos em que desfrutamos prazeres de forma solitária, em que se pensa em tudo e em nada. Estamos por ali. Vagueia-se.
Pouco importará, para vocês, como conheci o produtor da Quinta da Vegia. Acredito que não terá qualquer relevância se foi assim ou assado. Se foi neste ou naquele lugar. Sei que foi há uma porrada de anos. Nos tempos em que se fazia um dos melhores eventos de vinhos da capital do Império: Dão & Douro. Evento que se eclipsou.


A garrafa estava ali a um canto, guardada para uma qualquer ocasião. Para um qualquer encontro com aqueles gajos que gostam de beber à séria. Que dizem, sem apelo nem agravo o que lhes vai na alma. Sem filtros. Uns párias, uns ordinários que não têm respeito pela ordem. Olhados de lado. Num gesto instintivo, peguei nela e abri-a. Sem mais delongas. 


Não sei se existem vinhos perfeitos. Pouco importa. Sei que existem vinhos que nos enchem a alma na ocasião certa e que por isso se tornam (quase) perfeitos. Completam a refeição. Acompanham a conversa, mesmo que ela seja um mero monólogo. E pouco importa se eles, os vinhos, cheiram ou sabem a isto ou àquilo. Para o caso, só confirmei porque gosto de vinhos do Dão. Porque, quando bem feitos, são o pináculo da frescura, da elegância, da finura, capazes de meter num simples copo todos aqueles cheiros de uma floresta que foi assassinada. 

sexta-feira, outubro 20, 2017

Nada

Por que raios, ninguém ainda pensou em baptizar um vinho, de uma região qualquer, com o nome de Nada? Seria o vinho perfeito para dias sem ideias, sem conversas, sem namoros, sem discussões.

Simplesmente bebia-se um ou mais copos de Nada, Colheita ou Reserva, em dias em que nada acontece ou aconteceu. Perfeito, portanto, para momentos sem coisa nenhuma para dizer e fazer. Nem tolices. Apenas Nada até o copo ficar sem nada. Seria também perfeito para responder à mulher e ao médico, quando nos perguntam o que se andou bebeu. Nós poderíamos responder tranquilamente: Bebi Nada! 

quinta-feira, outubro 19, 2017

Estava Perfeito ...

Digamos que foi outro tónico. Tónico para a alma e para o corpo. Como tal, serviu e cumpriu na plenitude o que esperava dele. Vinho da terra. Terra que agora está diferente. 


Esta garrafa, esta mesmo, estava perfeita. Não a garrafa, naturalmente. O vinho. O vinho estava perfeito. Deu enorme prazer. O seu brilho contrastava com a escuridão que se tinha abatido lá na terra.


Não me apetece dizer mais. Não consigo. Não estou para, porque o vinho não merece, descrever de forma uma porrada de cheiros e sabores, sem alma e sem conteúdo. Não me apetece. Apetece dizer, apenas, que estava perfeito.

sexta-feira, outubro 13, 2017

Um Tónico: Somontes Encruzado

Mataram-se mais uma vez as saudades. Foi um tónico. Foi uma forma de tornear a privação. De forma simples e directa, sem grandes coisas, sem grandes extras, sem grandes elaborações, foi possível saltar para aquele lugar muito especial. 


Foram uns quantos minutos. Não muitos, mas suficiente para sentir no corpo todos aqueles cheiros, aqueles sabores, aquela frescura tão típica. Tão nossa. Apesar de fugacidade do momento, reanimou o ânimo. 

terça-feira, outubro 10, 2017

Fezada, Tiro de Sorte, ou foi feita Justiça ...?

Acredito que seja um exercício muito complicado de se fazer. Que não seja possível ou fácil ter uma resposta óbvia.
Compreendo que ao fazerem um vinho, se criem as melhores expectativas, se perspective um determinado sucesso. O objectivo é que o vinho seja consumido, apreciado, vendido, elogiado. Todos nós gostamos de ser reconhecidos pelo trabalho que fazemos. É humano, é normal. Faz parte da vida.


Percebo que fiquem desiludidos, quando não conseguem obter o reconhecimento que esperavam. Mas quando levam com um 17, um 18 ou mais, olhando para a concorrência, sentem que é mesmo merecido ou, pelo contrário, acham que foi uma fezada? Um tiro de sorte? Ou que chegou a vossa vez? Ou que finalmente foi feita justiça?

domingo, outubro 08, 2017

Celestino Dominó: Que Porra!

Quase que vim correr para aqui, só para dizer que gostei desta porra. Gostei para caraças. Daqueles vinhos que se bebem aos copos, uns atrás dos atrás dos outros. Bebem-se sem pensar, sem custar nada. Em que a garrafa se esvazia num instante, num ápice. Num abrir e fechar de olhos, desaparece. Puf!


De cor alaranjada, feito só com Moscatel de Setúbal, segundo consta, cheira a tanta coisa ou a nada e sabe tanto ou nada. Inusitado e fora de modas. Acima de tudo, despreocupado, descontraído, divertido, puro e simples e sei lá mais o quê.


Atrevo-me a dizer que será provavelmente o melhor Moscatel, não generoso, que bebi nos últimos tempos. Que porra de vinho, só para ser bem educado e não criar incómodo aos mais sensíveis.

sexta-feira, outubro 06, 2017

Maria João: Ai Ca Bom ou Ca Boa?

Já falei nele, mais que uma vez, mas nunca é de mais repetir, quando existem motivos válidos (e bons) para isso. Voltei a comprar uma garrafa, depois de ter limpo o meu stock. 


Meus caros, então não é que este vinho continua a evoluir, a ganhar qualidades, a melhorar? Num estádio de grande afinação e muito equilíbrio e longe, parece-me, de definhar. Um vinho que tem aquela frescura dos vinhos brancos do Dão, capaz de suportar toda a fruta que possui, bem como controlar aquelas marcas do estágio em barrica. Está Bom, bem Bom, muito Bom. Basicamente, Ca Bom


Um vinho para combinar, quase na perfeição, com peixe potente, volumoso, assado nas brasas ou no forno. Posso dizer que está um filho da mãe de vinho. Para ser educado.

terça-feira, outubro 03, 2017

Tapada de Coelheiros: Epá, bem bom!

Epá, bem bom. Podia ficar por aqui e bastava, mas vou dizer mais qualquer coisinha, nem que seja para encher um pouco mais a página. São sempre mais alguns segundos de tempo de leitura que se ganham. Importante para os rankings.


Tapada de Coelheiros pertencia ao grupo restrito de vinhos alentejanos que tinha por hábito comprar. O leque das minhas opções, como devem adivinhar, não era, nunca foi, muito extenso. Com o advento do admirável mundo novo dos vinhos portugueses, em que as novidades pululavam (que palavra tão eloquente) todos os dias, acabei por relegar para planos subalternos os vinhos deste produtor. Tenho que assumir publicamente que foi uma parvoíce.


Termino a coisa de hoje, como comecei. Epá, bem bom. Um vinho branco com personalidade, cheio, profundo, que satisfaz, que tem acutilância. Que acompanha comida, de forma garbosa. Basicamente caiu que nem ginjas. E quando assim é, não se pode pedir mais. Tenho dito. 

segunda-feira, outubro 02, 2017

Auto de Inutilidade

Este é o chamado post inútil. Ou se quisermos o post mete nojo, que serve apenas para mostrar à malta, que também vou bebendo umas coisas raras, estranhas, diferentes. Porque a grande maioria da malta não faz ideia do que se trata, onde arranjar, quanto custa. Portanto é estar a mostrar algo que virtualmente não existe. Toma, toma, toma...



Naturalmente, dá para perceber, que este vinho foi oferecido por um grande amigalhaço. Um amigalhaço dos quatro costados. E quem não gosta de ter gajos destes que, volta na volta, espetam em cima da mesa vinhos deste calibre?