segunda-feira, dezembro 18, 2017

O Pingus aconselha...

Este ano não irá sair a lista ou selecção mais aguardada por todos. A minha. Ainda pensei, como nos outros anos, juntar-me ao grupo de malta que selecciona, nesta altura, os seus melhores vinhos e os apresenta como um best of e os aconselha para as festividades da época. Desta vez, não me apetece. Não tenho vontade. Não quero. Circulam, por todo o lado, as mais diversas escolhas. E são muitas. Cada uma delas, a mais importante. 

A autoria da foto é deste gajo.
Aconselho, apenas, que bebam os vinhos que vos saibam bem, que gostem. E aqueles vinhos que vos souberem melhor, serão certamente os melhores vinhos. Depois, se for possível, tentem escolher as pessoas que se vão sentar ao vosso lado, durante este período. Tentem não fazer fretes. Façam os possíveis para se borrifarem para o que os outros acham ou deixam de achar e sejam (muito) felizes. Sejam, antes de tudo, livres. Livres no pensamento e obrem para a doutrina e para o que os outros pensam de vós (de nós). O resto deixem fluir, sem grandes dramas.

sexta-feira, dezembro 15, 2017

As Ovelhas Negras

Ser a ovelha negra e por vezes ranhosa (ou ronhosa) é não necessariamente mau ou pejorativo. Começo a acreditar que ser ovelha negra e ranhosa (ou ronhosa) é, na maior parte das vezes, sinónimo de estar farto da mediana, da norma, do que a multidão quer. Saturado do barulho, do balir das outras ovelhas. 

Profunda Elegância, suavidade, frescura, limpeza...
Começo a achar que a ovelha negra e por vezes ranhosa (ou ronhosa) só quer caminhar de forma diferente do rebanho. Ir por outros caminhos. Diferentes.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

Gostei! Gostei Muito! Soube-me muito bem...

Gostei! Gostei Muito. Soube-me muito bem. Aguentou um peixe assado no forno. O peixe era de aviário. Foi o que se arranjou. Mesmo assim, foi caro. Disseram-me que, apesar de ser de aviário, era criado de forma diferente. Bom, na verdade, como muitas vezes peixe de gaiola.



Este estilo de vinho é incomensuravelmente superior ao dito clássico. Apraz dizer, portanto, que não sou um tipo com inclinações clássicas, no que respeita ao produtor. Aqui, neste caso, temos vinho a saber a vinho e não a um aglomerado de frutas tropicais. E era só, para hoje.

quarta-feira, dezembro 06, 2017

Pelluda da Pellada

Só para dizer que é vinho que sabe literalmente a vinho. Já viram a idiotice da coisa? Um gajo abrir uma garrafa, completamente descansado e despreocupado, e reparar que o que sai lá de dentro é um liquido que sabe mesmo a vinho. Que disparate. 



Fiquei lixado. Acreditem! Ser confrontado com um vinho. Um vinho! Assim, sem mais nem menos. É uma fraude, ter que beber um vinho. Que brincadeira de mau gosto. Vou reclamar por causa deste enorme imbróglio que me criaram. 

sábado, dezembro 02, 2017

A Pura Seda do Dão

Pois é! Sei cada vez menos. Sei cada vez menos sobre tudo. Sinto que andei perdido no meio de presumíveis verdades, achando que sabia uma enormidade sobre tudo e mais alguma coisa. Fala-se de elegância e de finura de forma profundamente leviana, sem sabermos, na maior parte das vezes, o que querem dizer, de facto. Fala-se, porque se fala, porque está na moda, agora, usarmos estes adjectivos.


Levei um murro no estômago com este vinho. Um murro que me deixou abanado, tonto, em estado de choque. Perdido. Procurava por isto. Era disto que queria. É esta a ideia que tinha, do que foram ou do que eram os vinhos do Dão.


Profundamente delicado, falsamente frágil, com um equilíbrio dificilmente igualável. Um vinho que nos encanta, a mim encantou-me, que nos embala ao som de uma melodia suave, branda. Que nos encaminha para estados de alma, que pensei não serem possíveis de atingir. Que nos amacia. Vai-se, sem se dar conta que se vai. Não se vai empurrado, nem se vai obrigado ou coagido. Vai-se de livre vontade. Atrevo-me a dizer que estive muito próximo daquilo que espero e gosto num vinho tinto. Principalmente num vinho tinto do Dão. Do que era o Dão. Ou do que foi. Não sei.