segunda-feira, maio 21, 2018

Na Tasca

Há momentos em que não queres comer nada em particular e não queres beber nada de especial. Queres, apenas, libertar-te do peso que tens em cima dos ombros. Queres sacudir toda a pressão que tens no lombo. Queres, apenas, tirar o pipo e aliviar. Queres esquecer muita porra que te mói a mona, dia após dia.


Vais para o petisco e entras no primeiro lugar que vês à tua frente. Escolhes qualquer coisa, sem pensar na razão da tua escolha. Começas, num ritmo sôfrego a enfiar no bucho tudo o que vês. De forma completamente aleatória as travessas vão sendo limpas até ao último resquício. Acompanhas com um vinho prosaico, mas honesto. Nem queres saber se o copo é adequado ou não. É perfeito para o momento. Nem mais e nem menos.



Ao saíres, reparas na montra que está lá fora. Uma montra que faz arregalar os olhos, pela imponência da decoração. O conteúdo era ostensivo, provocador. Quase pornográfico. Profundamente decadente. Prometes a ti mesmo que terás de regressar ali, desta vez com um objectivo mais definido. Com um propósito mais concreto. Só para tirar as teimas.

sexta-feira, maio 18, 2018

Xistos Altos

Uma publicação mais limada, com menos arestas, mais doce. Chegámos ao melhor da dia da semana: sexta-feira. Como tal, a comunicação, de hoje, vai ser rápida e sucinta. Espero.


Este vinho, meus caros amigos, está cada vez melhor. Está a evoluir muito bem. Muito mesmo. A atingir níveis elevados de equilíbrio e finura. E com uma salinidade muito, muito curiosa.


Com um perfil profundamente elegante. Com tudo na medida certa. Depois, o que importa, estou a gostar dele cada vez mais. Soube-me pela outra vida, por esta e por aquela que dizem podemos vir, ainda, a ter. 

quinta-feira, maio 17, 2018

Os meus #amigalhaços!

Sou um gajo de emoções. Não me sinto bem, se não deitar cá para fora o que me vai na alma, no momento. A porra vem depois, como sempre. Depois surgem as agonias, mas já é tarde. Mas chateia-me viver de forma insossa.
É uma republicação, uma reactualização. Não será, portanto, uma novidade. É um post que enumera, simplesmente, quem ofereceu, directamente ou indirectamente, vinhos ao Pingus Vinicus. Vinhos que foram chegando às mãos, desde 2006, o ano da fundação.

Foto da autoria de Carlos Janeiro
Para mim, são ofertas, prendas, regalos. Não as considero amostras. As amostras são para quem se dedica ao assunto de forma profissional e dedicada. São ou foram, por isso, os meus #amigalhaços

Vinho Verde/Alvarinho

A&D Wines
Adega de Monção
Anselmo Mendes
Casa de Canhotos
GR Consultores
João Portugal Ramos
Pequenos Rebentos
Quinta da Lixa
Tapada dos Monges
Vales dos Ares

Douro
Casa Agrícola de Phermentoees
Caves Transmontanas - Vértice
Sociedade Agrícola da Casa d’Arrochella - Grandes Quintas
Dona Matilde
Duorum (João Portugal Ramos & José Maria Soares Franco)
Enoport Caves Velhas
Niepoort
Proibido/Permitido
Quanta Terra
Quinta da Covada
Quinta da Zaralhôa
Quinta das Bajancas
Quinta de Maritávora
Quinta do Portal
Quinta do Soque
Quinta do Torgal
Quinta dos Murças
Portugal Winery Boutique
The Fladgate Partnership
VDS - Vinhos Douro Superior

Dão/Bairrada/Beiras
António Madeira
Casa da Passarela
Casa de Darei
Chão de São Francisco
Casa de Saima (Bairrada)
Dão Sul
Monte Aljão
Messias (Bairrada)
O Meu Tio
Pedra Cancela
Quinta da Bica
Quinta da Boavista (Terra de Tavares)
Quinta da Espinhosa
Quinta da Falorca
Quinta da Fata
Quinta da Ponte Pedrinha
Quinta da Vegia
Quinta das Marias
Quinta de Nespereira
Quinta de Santo António do Serrado - Barão de Nelas
Quinta do Corujão
Quinta do Escudial
Quinta do Gonçalvinho
Quinta do Medronheiro
Quinta do Perdigão
Quinta dos Carvalhais
Quinta dos Roques/Quinta das Maias
Quinta Mendes Pereira
Sociedade Agrícola Casa Aranda
Terras do Mendo
Quinta do Cardo (Beira Interior)
Quinta dos Barreiros - Gravato (Beira Interior)
Horta de Gonçalpares - RAYA (Beira Interior)

Tejo/Lisboa/Bucelas/Colares
Adega Mãe (Lisboa)
Casca Wines (Collares)
Casal Figueira (Lisboa)
Enoport (Bucelas)
Fiuza (Tejo)
Quinta do Gradil (Lisboa)
Quinta da Murta (Bucelas)
Quinta das Carrafouchas (Lisboa)
Quinta de Alorna (Tejo)
Quinta de Pancas (Lisboa)
Vale D'Algares (Tejo)

Alentejo/Algarve/Setúbal
Adega Cooperativa de Borba
Adega Cooperativa de Portalegre
Adega Mayor

Altas Quintas
Casa Ermelinda Freitas (Setúbal)
Esporão
Fundação Abreu Callado
Herdade Paço do Conde
Herdade de Rio Frio (Setúbal)
Herdade de São Miguel
Herdade dos Grous
João Portugal Ramos
José Maria da Fonseca (Setúbal)
Lima Mayer

Quinta do Quetzal
Quinta do Francês (Algarve)
Monte da Ravasqueira

Madeira
Adega de São Vicente - Paixão do Vinho 

Se tiver esquecido algum, facilmente será descoberto por mim ou por vocês. Acredito que alguma coisa me tenha escapado. Contudo, estará sempre em actualização, sempre que sentir necessidade. Irá estar sempre online.

domingo, maio 13, 2018

Provavelmente ...

Antes de começar a palestra do dia, que é dominical, e para não deixar qualquer dúvida a quem perde algum tempo aqui a ler as minhas balelas, aviso, desde já, que este vinho foi-me oferecido. Presumo que terá sido a própria empresa. Como tal, deduzo que irão aparecer mais publicações, avaliações, classificações e quejandos, feitas pelos meus pares, sobre o dito. Feitas as explicações prévias, passemos ao furúnculo da questão.
Mesmo os mais distraídos, como eu, já reparam que a Quinta da Pancas tem sofrido um processo de renovação a todos os níveis. Rótulos, novos vinhos. São bonitos à vista. E tenho gostado, mais uns do que outros, do que vou bebendo.


Da nova vaga de vinhos, este arinto estreme vai ter, quase de certeza, lugar de destaque. Um destaque merecido, digo eu. Trata-se de um vinho com uma estatura e estrutura que me deixou impressionado. Os seus aromas ou cheiros provocaram uma porrada de sensações, que iam desde os estímulos mais vegetais, mais ou menos frutados, mais ou menos minerais, mais ou menos untuosos. A desmultiplicação de impressões era vasta. Os sabores eram, também, vastos. Profundamente finos, equilibrados e com uma frescura fortemente incisiva e precisa. Com muita classe.
Digamos que este vinho dá asas à nossa imaginação, permitindo-nos, portanto, enumerar um chorrilho de descrições sobre tudo e mais alguma coisa. Reservo-os para mim, pois alguns pareceram-me provocados pelo estado de ebriez


Não andando em cima de todas e mais algumas novidades, nem a beber tudo e mais alguma coisa, permitam-me que vos diga, preto no branco, que este vinho está no lote de vinhos brancos mais excitantes que bebi, neste ano de 2018 e no ano de 2017. E provavelmente um dos melhores. Valerá para aí, tendo em conta a realidade actual, uns 20 a 22 pontos. Sem favores.

quinta-feira, maio 10, 2018

Ode ao Pregado

Todos nós temos preferências. Muitas vezes nem conseguimos explicar, justificadamente, a razão da nossa escolha. É porque é.

Detenham-se a observar a beleza da foto. Tirada ao vivo em Sabores do Peixe (Montijo)
No que respeita a peixes, o pregado ocupa um dos lugares cimeiros, no que concerne às minhas opções principais. A delicadeza da carne e a suavidade do sabor tornam este animal em algo muito especial, para mim. Infelizmente, começa a ser raro comer um que seja proveniente, efectivamente, do mar. Do mar aberto. Quando percebemos, julgamos nós, que o que temos no prato é mesmo aquilo que pensamos, os níveis de prazer são catapultados para patamares que roçam o deboche. Provavelmente, por sujestão, pensamos que é melhor e mais genuíno. É que quando é de aquacultura, verdade seja dita, também me sabe muito bem.


Aliás, em jeito de adenda, digo-vos claramente que a minha dieta incorpora muito peixe, se não a maior parte, criado em regime de aquacultura. Alimentar várias bocas, todos os dias, não dá (muita) margem de manobra para grandes filosofias ou demandas em busca do que é mais puro. Mas voltemos ao pregado que é o mote da coisa de hoje. É peixe que merece uma Ode, venha ele do mar aberto ou não.

quarta-feira, maio 02, 2018

Perguntas Simples para Respostas Simples!

Estava um tipo na mesa, quando lhe espetam um vinho tapado à frente. Provou-se e bebeu-se. Pouco tempo depois fazem-te meia dúzia de perguntas, do tipo: gostas? compravas? 



As respostas dadas por mim, antes de ver o rótulo, foram muito simples e sem grandes artimanhas argumentativas ou cuidados defensivos, que a maior parte da malta gosta de ter quando bebe às escuras, para não haver comprometimentos. Foram coisas do tipo  sim, estou a gostar; não está mau; talvez redondo de mais; quando aquece torna-se mais complicado. E era capaz de comprar, dependendo do preço.


Após a solene revelação do rótulo, mantive o que tinha dito. Apenas ressalvei que não compraria o vinho, por causa do preço a que era vendido. É excessivo.

segunda-feira, abril 30, 2018

E é isto!

Foi daqueles dias em que um gajo pega numa garrafa e que a delapida até ao fim. Ainda por cima, a garrafa tinha sido oferecida pelo produtor, por intermédio de uma empresa de comunicação. E antes de avançar na encíclica que abre a semana, relembro os mais distraídos que anuncio publicamente se o vinho em causa foi oferenda. Isto se o vinho merecer a minha atenção e honras pessoais. Não é qualquer um que tem a dignidade para ser aqui referenciado.


E este rosé mereceu a minha atenção, pela sua simplicidade, frescura e limpeza. Um vinho bem equilibrado, sem exageros, que cumpriu na perfeição o propósito. E bem feito.


Acompanhou, e bem, uns prosaicos camarões de viveiro, comprados numa banca de hipermercado, ao final do dia, quando regressava a casa, ainda com a cabeça cheia de detritos emanados da tutela. Tudo muito simples, descontraído e leve. Sem grandes preceitos. Passo a passo, fui esvaziando a garrafa até ficar vazia, sempre com enorme satisfação e gozo. E era só isto!

quinta-feira, abril 26, 2018

A Liberdade permite

A liberdade permite-me ser um desbocado. Permite-me não ficar preocupado com que acham ou pensam sobre o que digo ou o que penso. A liberdade permite-me obrar para o que não me agrada. A liberdade permite-me, também, elogiar de forma desbragada e sem limites. 


Gosto muito dos vinhos da Quinta de Maritávora. Gosto pelas mais diversas razões, pelos mais diversos motivos. Essencialmente porque mexe com metade do meu código genético, que é transmontano. Transmontano deste lugar. Duriense desta parte do rio Douro. 


Este simples colheita está um mimo. Um vinho branco que prima pelo equilíbrio, pela pureza, pela finura no trato. Contido e sério. Com sabor e com muita frescura. Sem qualquer tique de exuberância aromática, o que só abona a seu favor. E com isto tudo, meus caros amigos e desamigos, encerro a coisa de hoje, dizendo-vos que este é um vinho de enorme qualidade, que encheu todas as medidas. As minhas. 

sexta-feira, abril 20, 2018

É muito curto! É muito poucochinho!

Às vezes, meto-me a pensar sobre a carrada de vinhos feitos com as nossas ditas castas autóctones, que são completamente incaracterísticos, sem alma, normalizados, sem qualquer respeito pelas identidades regionais. Acabo, às vezes, por ficar mais apreensivo e chateado com isto, do que aqueles que vão sacar castas lá fora, para fazer os seus vinhos. Apesar de incompreensível, assumem declaradamente o que querem fazer.


Atrevo-me a dizer que pior do que fazer imitações assumidas, usando castas estrangeiras, é pegar nas castas nacionais e criar vinhos bastardos, sem qualquer carácter regional e identidade. Acabam por ser, também, vinhos de imitação, que podem ser de qualquer do mundo, menos do Douro ou do Dão, da Bairrada ou dos Verdes, do Alentejo ou de Setúbal, do Tejo ou Lisboa, Beiras ou Algarve. De todos os lugares, menos de Portugal. Por isso, dizer que temos uma porrada de castas não basta. É muito curto. É muito poucochinho. E era só isto, pois é sexta-feira. 

sexta-feira, abril 13, 2018

Peixe em Lisboa: Até um dia!

Tenho ido, quando posso, ao Peixe em Lisboa. Era mais uma oportunidade para comer algumas coisas assim mais para o diferente. Gostava muito, curtia mesmo, quando era no Pátio da Galé. No Pavilhão Carlos Lopes não tenho gostado tanto. Senti, na pele, enormes mudanças no ambiente. Não consigo concretizar melhor. É algo se situa no domínio do íntimo. Posso, por isso, estar a ser injusto.
Voltei lá. Senti que não pertencia àquele lugar. Senti-me deslocado. O evento é demasiado elegante e social para mim. Não consegui desfrutar da ocasião, como no passado. Senti-me mal vestido, mal amanhado. Com uma indumentária pouco adequada ao lugar. 
Está colocado, pareceu-me, num patamar económico-social que não é o meu. Não é uma crítica ao evento. Não quero sequer fazer qualquer dissertação sobre assuntos que não percebo puto. Não vale a pena, por isso, virem para cima de mim. Sou daqueles gajos que apenas quer desfrutar, sentir-se confortável. Mas senti-me perdido.


Não quero falar do que comi, porque se está no universo das opções. As minhas. Podia ter escolhido outra coisa. Mas foi o que foi. Mas caramba, uma coisa são doses pequenas, de degustação, outra coisa são os hologramas. E pareceu-me ver muitos. 
Relativamente ao vinho, epá, fiquei com a ideia que para se beber algo mais decente e interessante é preciso subir muito na escala do preço. Acabei por beber um branco leve da Estremadura (dois euros) que foi mais barato que uma garrafa de água. Por isso, quando as relações acabam, costuma-se dizer: foi bom enquanto durou. Até um dia!

quinta-feira, abril 12, 2018

O Queijo e o Vinho

Nos tempos em que achava ser fino beber vinho, principalmente o tinto, a prática era emparelhar o queijo com o tinto. E para não fugir à moda, ao que se fazia na altura, também comia queijo e bebia vinho tinto. Digamos que era mais uma estratégia para me imiscuir no meio, ser aceite e fingir que percebia do assunto. Se calhar, até elogiei a combinação ou publiquei fotos, naquele lugar onde vamos, todos, bisbilhotar. Digamos que não foram momentos sentidos.

Olhem, experimentem o vinho. Não conhecia. Gostei. Estava bem balanceado, era fresco e untuoso. E acima de tudo, deu prazer, que é o que (me) importa. Voltaria a comprar.
Assumo, agora, que nunca gostei (muito) de beber vinho tinto e comer queijo. Mas fazia-o. Seja qual for o queijo ou o vinho, não gostava. A boca, a minha, ficava toda meia lixada. Dir-me-ão que há certos vinhos tintos que combinam com certos queijos. É possível, mas nunca fiquei convencido, nunca consegui obter verdadeira satisfação. Nunca.


Decididamente, para mim, a aliança perfeita é com vinho branco, com ou sem estágio em madeira ou com mais ou menos idade. Desta forma, sinto paz na boca, o corpo reage de forma mais pacífica. Tudo parece encaixar muito melhor. A frescura do vinho abraça a gordura do queijo e do enchido, já agora, de uma forma quase irrepreensível. Um espumante, pela experiência que vou tendo, também não fica nada mal. Mas por favor, nunca mais me dêem queijo com vinho tinto. É preferível comê-lo uma cerveja, tipo mini.

terça-feira, abril 10, 2018

Nota de Prova Cega

Proponho-vos um simples exercício. Geralmente quando vemos notas de prova, surgem (quase sempre) acompanhadas pela fotografia do rótulo e é este, creio eu, que nos influencia verdadeiramente. Concordando ou discordando, é o rótulo do vinho que acaba por ser a variável com maior relevância. A par da classificação. Muitas vezes, nem damos a devida atenção ao que se escreve, ao que se diz sobre o vinho em si. Fixamos, depois, se no final levou dezoito ou dezanove. E pimba, é este ou aquele que vamos comprar. Bom, na verdade e nos tempos que correm, um dezoito já não chega.
E se as notas de prova fossem despedidas de rótulos? Teríamos a mesma reacção? Provavelmente não. Os inputs seriam muito menores.


Mas voltemos à proposta que chamo de Nota de Prova Cega. Pedia-vos que lessem as seguintes passagens. São notas de prova que retirei, sem qualquer alteração, de uma revista da especialidade. Estão despidas de rótulos, dos nomes dos vinhos e das respectivas classificações:

1) Nariz algo fechado, notas de tosta e fruta madura, cheio, poderoso na substância que tem ainda guardada. Encorpado na boca, mas sem pesar, ambiente mineral e com um estilo polido e profundo. Conjunto muito sério que vai crescer bastante com o tempo. In VGE - Janeiro de 2018

2) Intenso na cor, fruta madura de grande qualidade, notas de tosta, todo ele cheio, amanteigado. Muito bem na boca, com volume, grande estrutura e de final muito prolongado. Bastante sofisticado. In VGE - Dezembro de 2017

3) Muita azeitona e eucalipto na primeira impressão, balsâmico e químico, concentrado no aroma. Denso e bastante cheio na boca, compacto, muito sólido, a mostrar grande estrutura e classe mas a precisar de muito tempo em garrafa para relevar. Um vinho de futuro. In VGE - Março de 2018

As perguntas, essas, são do mais simples que pode haver: Comprariam os vinhos? Estão alinhados com as vossas tendências? Despertam curiosidade? De que região será cada um deles? São brancos ou tintos? Qual seria a classificação que dariam aos vinhos (0 a 20)?

terça-feira, abril 03, 2018

Tenho pena...

Tenho muita pena que não seja fácil. É com pena que não vejo estes vinhos na capital do império. É com pesar que a malta anónima, como nós, não consiga beber estes vinhos, com a facilidade que seria desejada.
São vinhos que não prendem as atenções dos mais famosos, sejam eles quais forem. Mas não dão fama e nem glória. Os padrinhos dos eventos e das amostras encaminham os gajos que têm opinião, mesmo que seja mal verbalizada, para outras coisas. A força do marketing, das empresas de comunicação e publicidade empurram a malta, e a malta gosta, para vinhos e produtores de passarelle (que também os bebo).


Estes vinhos, existirão outros tantos assim, têm uma enorme dignidade. Estão muito bem feitos, dão muito prazer, têm personalidade e são diferenciados. São muito escorreitos, frescos e secos, com um registo muito particular. Têm bem impresso o cunho do Dão. E para tesos, como nós, são vendidos a muito bom preço (este branco custa menos de cinco euros, nas áreas comerciais da região).


Como disse uma vez, se fossem vinhos de uma COOP mais badalada, mais paparicada, mais burguesa, mais bonitinha, tivesse gente mais urbana à sua frente, eventualmente a realidade seria bem diferente. É que mais vale cair em graça do que ser engraçado.

segunda-feira, abril 02, 2018

Não é para ler...

Por vezes, gostaria que fossem mais, sou tratado como um príncipe. A espaços, tenho a fortuna de me aconchegarem a alma e o corpo com verdadeira comida. Com aquela comida que nos faz relembrar de onde viemos, quem somos e do que somos feitos. São momentos íntimos, de profunda introspecção. Não têm anda a ver com aquelas cenas bem decoradas, vagas de sentimentos, cheias de nada, onde os gajos mais bonitos, afilhados de uns poucos, se entretém a registar e a mostrar ao povo, que os vê de boca aberta. Nada a ver.


Sentar numa prosaica mesa, onde no meio está um tacho atascado com comida com uma feiura que nos apaixona, mais uns bocados de pão num cesto de vime, forrado por uma renda, e uma garrafa de vinho, leva-nos para lugares e estados que existiram, em tempos. É a glorificação da inocência. 


A um ritmo lento, vamos enchendo o corpo, vamos sarando as feridas que teimam a abrir, de tempos a tempos. Fica-se reconfortado. Espreita-se, volta na volta, lá para fora. Se chover e fizer frio, melhor ainda. Ficamos seguros que estamos no nosso lugar.


Naquele lugar que nos protege e afasta daquela sujidade que nos conspurca, que nos agonia. Levantamos-nos da mesa, apenas, quando o tal tacho estiver rapado e a tal garrafa estiver sem pingo. E com pança cheia. São, simplesmente, coisas para se viverem e não para ler. Não dão glória e nem fama. 

quinta-feira, março 22, 2018

Casa da Passarella: O Enólogo Encruzado

Às vezes, até fico admirado comigo. Ainda por cima, um gajo que não quer saber, na maior parte das vezes, do que os outros pensam ou acham sobre aquilo que escrevo ou publico, se gostam ou não, se ficam incomodados ou não. Ou se preferem outros. Epá, dei comigo, de forma (in)consciente a ter mais parcimónia, mais cuidado, a esconder muita coisa. Cum carago, não pode ser. 


Há algum tempo que não bebia um vinho da Casa da Passarella. Não há um motivo em particular, pois é público e sabido que acompanho com especial atenção, desde a sua refundação, tudo o que vai saindo de lá. É escusado, portanto, alongar-me mais nesta matéria.


Sabe-se, para quem anda em cima de todas as novidades, que a colheita de 2016 já está no mercado e segundo o que se vai lendo, por aí, está austero, contido e elegante. Tudo aponta para ser o melhor O Enólogo Encruzado. Mas também que tenho que vos dizer que o 2015 está, neste momento, um mimo. Com tudo integrado, bem afinado e elegante. Com a madeira harmonizada, muito equilibrado e, acima de tudo, sadio. Nada taciturno. Digo-vos que o bebi, sem favor, com enorme satisfação e prazer. Daqueles, permitam-me ainda, que se bebem assim num clic. Por isso, mais houvesse, no momento.

terça-feira, março 20, 2018

Um Imperativo: Quinta de Sanjoanne Terroir Mineral

Meus caros, se há vinhos que deviam existir no supermercado, este é um deles. Não por serem vulgares, longe disso, mas porque devíamos ter direito a eles, ali à mão de semear. Digamos que devia ser  um imperativo, um direito de todo o cidadão que goste de beber uns bons copos. 


Deviam existir, para termos acesso a eles, a qualquer altura do dia, da semana, do mês. Não termos acesso a este vinho, de forma ilimitada, devia ser uma luta da sociedade copofónica. Que se faça uma petição.


É escandaloso o preço a que este vinho verde, sem gás e sem açúcar, é vendido (mas por favor, não o aumentem) nos locais onde se encontra. Ronda, mais coisa menos coisa, os 5€. Um vinho com um equilíbrio assinalável, com uma sensação de frescura, de limpidez que nos deixa impressionado. Muito fino e elegante, em que as notas cítricas e minerais insurgem-se de forma veemente. É tanto por tão pouco, como alguém já disse.

sexta-feira, março 16, 2018

Cortes de Cima: Chaminé

Falemos de coisas terrenas, daquelas que estão ao alcance do povão. Dediquemo-nos um pouco aos vinhos que a malta anónima compra, para ir bebendo no seu prosaico dia-a-dia. Malta que querer beber um copo, ao final do dia, na sua mesa, numa simples bucha, com ou sem amigos. Sem ligar puto às novas tendências. Têm prazer e, olhem, andam felizes.


Apesar de o fazer, questiono-me regularmente sobre o interesse que tem, dizer ao mundo que bebi, às vezes são apenas umas gotas, uma porra que é toda XPTO e que apenas um punhado de gajos conhece ou saliva, só de olhar para os rótulos. Actos de exibicionismo, de auto-satisfação.  É um facto que um post feito com aquele vinho mais exclusivo, quase holográfico, dá direito a muita curiosidade, a muita visita e a uma boa sacada de likes. Quem não gosta de mostrar que a sua é maior que a do outro? Coisas da vida.


Sem qualquer pudor, sem qualquer medo de ser relegado para categorias mais irrelevantes, afirmo-o aqui publicamente que curti este vinho branco. Surpreendeu-me. Fez-me dizer em voz alta, perante os que estavam ao pé de mim, que estava a gostar. Gostei do impacto da fruta, curti a frescura na boca. Não estava, de todo, à espera. Diverti-me com a sua alegria, com a forma quase bipolar como se comportava, ali algures entre um alentejano maduro do interior e um alentejano viçoso e mais leve da costa.  Malandreco de um raio.

segunda-feira, março 12, 2018

A Liberdade

Provavelmente expectável. Comprovadamente influenciado. Decididamente parcial. O António Madeira não precisa de qualquer apoio meu. Muito menos de empurrões. Fez-se à vida, à sua maneira, e desde de 2011, ano da primeira colheita, que vai cimentando o seu nome, bem como a qualidade dos seus vinhos, com a enorme ajuda do jovem Luís Lopes.


Sem grandes rodeios, sem mais delongas, sem mais prelúdios, atrevo-me a dizer que terá sido o melhor vinho branco que bebi, até ao momento, neste ano de 2018. Fiquei impressionado, não vou ter qualquer cuidado nas minhas palavras, a liberdade assim o me permite, pela sua grande profundidade e complexidade.
A limpidez da fruta, a curiosa untuosidade e cremosidade que possuia, a dimensão da frescura e a forma como foi evoluindo, ao longo de dois dias e mais qualquer coisa, mostrava-me que tinha ali um vinho bem pensado, bem construído e estruturado. Feito com tempo e muita paciência, julgo eu, terá sofrido, imagino, o mínimo de intervenção.


O resultado, no que me diz respeito, é o de um vinho que me encheu as medidas, que me deixou estarrecido e seduzido, que conseguiu apresentar, no actual estado, um nível de potência e elegância, que só se atinge lá em cima, no topo da pirâmide. Viciante.

quarta-feira, março 07, 2018

Quinta do Corujão

É sempre com enorme satisfação que reencontro os vinhos da velha Quinta do Corujão. Vinhos que representam um momento, uma altura da vida de um gajo. Tempos em que percorri tudo que era canto e recanto na região do Dão. Principalmente ao longo da rota do Mondego. Foram épocas cheias de descobertas e redescobertas, em que tudo me parecia bem mais genuíno.


É sempre com enorme regozijo que vejo que estes vinhos ainda mexem, ainda vibram. Vibram de frescura e de vida. Estão ainda cheios daquele carácter mais clássico, que nos desconcertam pela sua (falsa) simplicidade.


Comportam-se à mesa como todos os vinhos se deviam comportar. Não estão ali para empatar, para chatear um tipo. Pelo contrário. Estão ali para acompanhar a comida e a tagarelice. 

segunda-feira, março 05, 2018

Quando vou ao Supermercado

Este é um daqueles vinhos que compro, com muita regularidade, quando vou ao supermercado. Sabe sempre bem, fica sempre bem numa mesa, à refeição. E que, não esquecer, consegue ser transversal. A malta gosta e ninguém se chateia. 


Sem ser banal, muito longe disso, consegue-se com este vinho uma boa dose prazer, sem matar a cabeça em demasia. Tem frescura, tem nervo, tem volume. Tanto serve para os que se armam em connoisseur, como para aqueles que não querem cá saber dos temas que se discutem nos bastidores do vinho. 


Pode-se tornar, no entanto, muito perigoso. Um tipo, se tiver com a companhia certa, é capaz de abrir umas quantas, enquanto houver comida e conversa para desenvolver. Os problemas vêm depois, isto é: as dores de cabeça. 

sábado, março 03, 2018

O Pedro Garcias anda perto!

Terá sido o melhor artigo de Pedro Garcias, nos últimos tempos. Ele aproxima-se, cada vez mais, da realidade. Do que se passa nos meandros do vinho. Espero, anseio, que vá mais longe. Devia, aliás, ter ido mais longe.
Só não vê, quem não quer. A critica de vinhos em Portugal não existe ou é, assim, uma coisinha muito ligeira. Existem, acima de tudo, divulgadores de eventos, de marcas, de prémios e fazedores de notas de provas. Sempre sem qualquer rasgo opinativo. Já nem considero aqueles que se entretém a divulgar, quase exclusivamente, as press realeses. 
Fala-se, mas não se critica, não se dá opinião. É compreensível. Podem-se perder amostras, jantares, almoços, passeios ou eventuais patrocínios. Pode-se deixar de ser convidado para ser jurado, num determinado painel de prova. Já viram o que era não meter uma foto com o seu nome no facebook, a assinalar a sua presença em mais uma prova? Podem-se perder fins-de-semana, com tudo pago. É muito mais fácil, andarmos de elogios em elogios, desde que pingue vinho e refeições. 
É com muita tristeza, assumo publicamente, que vejo os meus pares bloggers a vergarem-se e a submeterem-se a uma lógica, que chegaram a criticar nos bastidores. É com tristeza que vejo que se acomodaram e se sentem bem. Percebo. Vai pingando, sempre, qualquer coisa. 


É com muita pena, que não vi, ainda, nenhum produtor dizer que são eles que pagam esta treta toda: revistas, eventos, provas, refeições e visitas dos fazedores de opinião. Estarão agarrados pela bolsinha? Não é o consumidor, certamente, que paga isto tudo. O consumidor, essa entidade estranha, nem sabe do que se passa. Compra o vinho signature que há no Continente ou noutro lado qualquer. 
Mas o vinho e o seu mundo não são uma excepção. Somos confrontados, todos os dias, com estas vicissitudes, noutras áreas. Discordar é encarado como sinal de mau carácter, como sinal de pouca formação pessoal. É a vida, como se costuma dizer.
Pedro, também te digo, o que interessa é andar na crista da onda. Esquece o resto, que só dá dores de cabeça. Venham as palmadas nas costas, que são o que importa. É que o mundo português é pequeno e toda a gente se conhece. Sejamos, por isso, felizes.

Post Scriptum: Ainda ninguém me disse, como se sustenta uma revista de vinhos. Pela publicidade? Pelo número de exemplares vendidos? Pelos eventos que se promovem? Por tudo junto?

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Conciso por Niepoort

A procura pela identidade da terra e da região tem sido um dos desideratos da equipa de Dirk Niepoort na Quinta da Lomba, em Gouveia. Se numa fase inicial, o projecto parecia-me meio titubeante, fica a ideia, agora, que está a entrar numa fase muito mais interessante, mais cimentada, mais clara no objecto.


Os vinhos estão a ganhar dimensão e reproduzem quase ipsis verbis todo um território que conheço, desde tenra idade. Coerentes com a filosofia há muito adoptada por Dirk, os Concisos são vinhos feitos para se beberem de fio a pavio. 


Proveniente de vinhas muito velhas, entalhadas no granito, à vista da Serra, mostra ser um vinho imensamente fresco, profundamente esbelto, que nos transmite uma enorme sensação de limpeza e de vida. Digo, que se lixem os mais sensíveis, que temos aqui um vinho que alia a elegância e pureza, de forma irrepreensível. É do agrado de todos? Não, não será. Mas como já disse, que se lixe. É um vinho que está cada vez melhor, mais definido, mais personalizado.

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Faz Pensar...

Enquanto a malta do vinho, made in Portugal, que brinca nos blogues ou noutros locais da internet, luta por umas míseras visitas diárias ou por uma mão cheia de likes, se for no facebook, existem outros que conseguem ter uma projecção impensável, noutros domínios. Sim, não me venham com a história de que ai e tal escrevo só para mim, que não quero saber quantos me seguem ou lêem. 
Blogues, sites, páginas pessoais ou profissionais que se dedicam ao gigantesco mundo cor-de-rosa, ele é mesmo enormíssimo, conseguem almejar milhares, dezenas ou centenas milhares de visualizações diárias. Conseguem, até, angariar patrocínios com alguma relevância. 


É caso para pensar que a malta dos copos, onde me incluo, brinca apenas aos opinion makers. Com muita paixão, é certo, mas sem objecto ou objectivo definido sobre que se realiza ou pretende realizar. Uma verdadeira migalha, no universo de utilizadores da rede. Estamos no nível do poucochinho. Como dar a volta a isto?
E já agora, por mera curiosidade, quanto vale o negócio editorial em Portugal, que se dedica ao vinho? É mensurável?  

sexta-feira, fevereiro 23, 2018

Quando Provamos isso?

Assim de repente têm surgido nas redes sociais, principalmente em locais de discussão sobre o vinho, um conjunto de expressões que parecem ter pegado. Podemos dizer que poderão tornar-se numa moda ou numa nova abordagem ao tema. Há que inovar. 
Não são raras as vezes que vejo tiradas do tipo quando provamos isso? ou nunca provei isso? ou ainda quando posso provar isso? ou não conheço isso! Às vezes, também reparo em a ver se combinamos uma prova! ou não te esqueças de levar isso ou aquilo que te disse! Também reparo em liguei-te!. Nada de estranho, se as trocas de bocas acontecessem entre malta anónima, que desafia o amigo ou o conhecido para uma patuscada e para beber uns copos.


Na realidade, estas expressões aparecem com alguma frequência para chamar a atenção de um produtor ou enólogo ou director comercial de um produtor, quando estes metem uma imagem de um vinho, de preferência novidade, ou quando ganham um determinado prémio. Também surgem as ditas manifestações, quando o desinteressado e apaixonado consumidor mete uma foto de um vinho.
Para se ter a certeza que reparam no que se está a dizer, os mesmos produtores, enólogos ou directores comerciais são notificados publicamente, como medida preventiva. Evita-se que o pedido ou desafio caia em saco-roto. É também uma forma de mostrar ao mundo que se tem bastas e profícuas relações, com quem faz o vinho nosso de cada dia. Registo, muitas vezes, que as respostas são, apesar de cordiais, pouco efusivas, por parte de tais responsáveis. 

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Os Ofícios do Hugo

Gosto da postura do Hugo Silva, da sua forma ponderada, equilibrada, como olha para o mundo do vinho. Percebo que é um estudioso, que não tem dogmas, não estabelece barreiras e não diaboliza nenhuma das múltiplas formas de fazer vinho. Aprecio muito a forma discreta como se apresenta ao mundo. Não faz estardalhaço, mas é preciso no que diz. Reparo que anda (ainda) em busca de um ideal de vinho. É, efectivamente, uma personagem que aprecio bastante (foram poucas as vezes que nos cruzámos), que sigo com a atenção que me é possível. É um puto, perdoem-me a expressão, que se vai fazer.


É fácil dizermos que gostamos de um vinho, quando ele nos é oferecido por alguém que, ainda por cima, estimamos e gostamos. Bem mais difícil é dizer o contrário. Portanto, uma lapalissada


Gostei do vinho. Gostei do carácter franco do vinho. Gostei dos aromas, que deambulavam por entre a fruta madura, mas fresca e viçosa, e sensações terrosas. Gostei, permitam-me o exagero organoléptico, do perfume a mato, a erva rasteira, ou coisa que o valha, que parecia ter. Gostei do seu sabor fresco, limpo e suculento. Gostei muito da forma como se deixava e deixou beber. Profundamente escorreito. Gostei, porque me soube bem, porque tive prazer,  porque curti, porque sim.

sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Sobre os Prémios no Sector dos Vinhos

Como todos sabemos, estamos na época alta dos prémios do sector do vinho. A indústria do vinho está, portanto, ao rubro. Existem prémios para as mais diversas categorias, sendo que algumas parecem-me um pouco inusitadas. O espectro é, portanto, muito alargado. 
Este ano, tal como no ano passado, não vou comentar aqui no blogue a justeza dos prémios, que foram já atribuídos ou que irão ser atribuídos. Todos são justos. Não quero e, na verdade, não me apetece. Talvez recupere, um dia, a vontade. Sempre fui um gajo de vontades. Ou tenho ou não tenho.


No entanto, endereço, desde já, as minhas felicitações a todos os que já foram agraciados e que irão ser agraciados. Os que não foram agraciados, ainda, e que desejam muito, um dia, ser premiados, continuem a lutar com afinco. Talvez um dia possam ter, também, uma estatueta ou diploma nas mãos. Reconheço a importância que os prémios tem para a indústria do vinho, para quem vive do vinho, nas mais diversas vertentes: produção, distribuição, promoção. Sem vós, nós não tínhamos vinho para beber e comentar, dizendo bem ou mal.
Sobre os prémios W, atribuídos por Aníbal Coutinho, apraz dizer que mantenho o que já disse e como tal, devolvo educadamente a menção que foi me atribuída. Não ando atrás de prémios, sejam eles quais forem. Vivo o mundo do vinho à minha maneira, como me apetece. Já fico (muito) contente por vocês lerem, seguirem, comentarem ou não o que vou dizendo por aqui. Concordando ou não. Gostando ou não.

quinta-feira, fevereiro 15, 2018

Porra!

Anda um tipo completamente despreocupado, à procura de qualquer coisa para a vianda, quando olha, por acaso, para uma prateleira. Para uma daquelas prateleiras que estão lá em baixo, ao nível dos pés. Salta à vista uma única garrafa, enfiada num emaranhado de outras que não tinham qualquer interesse. 


Estava já um gajo sentado à mesa a comer a dita vianda, quando os olhos brilharam com a porra do vinho, que tinha ali à frente. Caramba, estava em perfeitas condições, num estado de equilíbrio assinalável. Cheirava bem, sabia muito melhor. Com uma profundidade e equilíbrio que arrebatava. Fruta sadia e grande frescura. Tanto por tão pouco.


Bolas, já me tinha esquecido do potencial deste vinho branco (a colheita de 2016, salvo erro, não me parece tão bem conseguida), da sua capacidade para aguentar e enriquecer com o tempo. Sempre olhei com pena ou perplexidade para o facto de nunca ter sido criado um vinho branco que amandasse esta casa para outro nível. Ah, esteve melhor, depois, à hora do jantar. Onde conseguiu catapultar-se para outro patamar. Exagero? É provável ou não.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Vinha Paz: O brilhantismo de um Vinho

É o que eu digo. A loucura pelos novos rótulos, faz com que releguemos para lugares subalternos, nomes que eram, no passado, incontornáveis. Decididamente é uma autêntica parvoíce, um gajo andar sempre a correr em busca da derradeira novidade. 


A última garrafa de um lote que fui construído ao longo dos anos. E naquele acto meramente instintivo, saquei do vasilhame e libertei o vinho da clausura, em que se encontrava. Os meus olhos brilharam. Profundamente fresco e seco, empachado daquele carácter do Dão, onde a caruma, o mato, a pedra e tudo aquilo, para quem conhece bem a região, tem.


Naquele jogo de palavras que gosto de ter, nem que seja só para mim, diria que através de um simples copo, senti e vagueei por entre uma porrada de sensações muito íntimas e pessoais. Um vinho de grande dimensão, maduro, com uma estrutura de aço, mas ao mesmo tempo brilhantemente elegante. Estava para durar anos. Um exemplo de consistência, a um preço baixo para tanta qualidade.