terça-feira, janeiro 30, 2018

Restauração de Alcochete: Um Sucesso por explicar!

Existem fenómenos que não entendo. Faço um esforço para entender a razão disto ou daquilo, mas não consigo encontrar justificações plausíveis. 
Vivo em Alcochete, mais coisa menos coisa, desde que a Ponte Vasco da Gama foi inaugurada. E desde essa altura, reparo que esta vila apenas cresceu em betão armado, sem estruturas socais e de lazer que sustentem este aumento da população. Na verdade, o que existe nesta localidade, que está paredes meias com o distrito de Santarém, não serve tamanha concentração de pessoas. Mas adiante. 
Após vinte anos a frequentar esta vila, não entendo o sucesso da restauração de Alcochete (e do Montijo também). É uma restauração em que se baseia essencialmente na travessa de alumínio (mal servida), na trivial batata cozida com brócolos e no presumível peixe de mar. Peixe do mar que é, dizem as más línguas, comprado nas grandes superfícies comerciais da zona. Bom, posso dizer-vos que me cruzo, bastas vezes, com muitos gerentes e donos de restaurantes, vejam lá, nas bancas de peixe dos supermercados e hipermercados. Reparo que compram o mesmo peixe que eu e aproveitam as mesmas promoções. Mais interessante, depois, é ouvir os comentários das senhoras peixeiras dessas bancas: "depois dizem que é da lota de Setúbal ou do mar..." Vocês não imaginam as caixas de peixe e outros produtos do mar que saem destas áreas comercias, com destino aos mais famosos restaurantes da terra. 


É uma restauração pobre, monótona, onde tudo é igual. Dizem que é terra de caldeirada. Caldeiradas profundamente inócuas, servidas e feitas às três pancadas, em que o peixe escolhido é pouco, pouquíssimo e quase sempre o menos nobre e o mais barato. Nobre, só o preço. Aliás, só o preço é que situa em patamares elevados. 


Se quisermos fugir do peixe assado, temos as carnes. Carnes de excelência, grelhadas no ponto, compradas nas promoções dos mesmos supermercados e hipermercados da zona. As opções são muitas: entremeadas, costeletas, entrecosto, costela de vaca ou salsichas frescas. Umas vezes são do Intermarché. Outras vezes são do Pingo Doce. Mas também podem ser do Continente. Acolitadas com aquela batata frita especial, pré-congelada, do pacote e que podemos comprar nos mesmos lugares de onde vem o peixe e a carne.
O marisco, principalmente os crustáceos, é seleccionado a partir das melhores promoções e proveniente, também, das melhores produções de aquacultura. Principalmente asiáticas. As famosas ameijoas são, naturalmente, do rio Tejo. Apanhadas pelas inúmeras mãos romenas ou tailandesas, que se dedicam à apanha desta iguaria local. 
Os poucos projectos que pretendem ser diferentes são, muitas vezes, pretenciosos, não tem alma, são caríssimos para o que oferecem e já estão mortos, logo à nascença. Os que vão vivendo e sobrevivendo é porque são finos e elegantes (cof, cof) e fica bem frequentá-los. 
Por tudo isto e mais alguma coisa, vemos os passeios cheios de carros amontoados, filas de espera, ruas cheias de gente, restaurantes abarrotar, logo a partir de quinta-feira. Mesas alinhadas na rua, forradas a papel, azeitonas miseráveis, como entrada, vinho em jarros de água. Autêntico sucesso. Resta-me praticamente um único local em Alcochete, que frequento com muito prazer. Um autêntico oásis. 

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Esporão

Crónica pessoal, sem grandes novidades para partilhar. Sem grandes descobertas para revelar. Sem nada de novo para escarrapachar aqui. É, digamos, mais palha para o palheiro, que é o meu blogue.
Tinha o hábito, já lá vão quase 20 anos, de comprar, beber e depois guardar, para memória futura, um reserva do Esporão. Por razões muito simples. Achava graça ao vinho e aos rótulos. Fui guardando algumas. Agora, simplesmente compro para beber, logo que saem as colheitas novas. Um pouco como o Soalheiro Clássico. Vinhos que, apesar de não estarem no saco das minhas preferências actuais, faço questão de os provar. Não deixa de ser relevante a consistência deles. É assinalável. 


Tinha e tenho uma caixa encalhada com vários reservas do Esporão, empilhados uns em cima dos outros. Estão na patamar das memórias. Daquelas coisas que se guardavam, mas que, por uma razão ou por outra, deixaram de fazer sentido. Um desses reservas é o badalado Bin Laden. 


Ontem, domingo, enquanto andava à procura por algo para acompanhar a vianda que ia comer ao almoço, detive-me a olhar para a dita caixa. E de forma aleatória, peguei numa garrafa e preparei-a para a cerimónia. Pó limpo e rolha cá para fora. Uma rolha perfeita, devo dizer. Já com os rebordos acastanhados, mas ainda profundo na cor, fui enfiando goles atrás de goles, no bucho. Estava aprumadinho. Sedoso, equilibrado e licorado. Com nuances de fruta seca e folhas de chá. Estava fresco. E naquele diálogo mudo que tenho muitas vezes com o vinho, fui repassando episódios de dois mil e um. Ano que não foi particularmente bom, a título pessoal. 

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Comprem!

Meus caros amigos do peito, nem tudo está perdido. É possível ir a uma grande área comercial e comprar um vinho diferenciador. Provavelmente, a maior parte da malta que compra vinho, nem lhe dará grande importância. Quase de certeza que vai cair em escolhas triviais, habituais, normalizadas, consensuais. Nada a criticar. São gostos e cada um tem os seus.


Este Curtimenta alentejano merece toda a atenção, por parte de quem gosta de vinho a sério e que procura por algo que tenha, vá lá, mais carácter, que seja um pouco mais desviante da norma. Não sendo a primeira vez que o bebo, digo-vos, sem qualquer rodeio, que temos muito vinho para tão pouco dinheiro, como disse o meu amigo Joli, em relação a outra pinga.


Por menos de 10€, é possível beber um vinho branco com personalidade e muita profundidade. Muito seco e bastante fresco, duro, quase masculino, com tanino e estrutura capaz de aguentar aquele prato mais robusto. Emparelhou, vejam lá a coisa, com uma feijoada de choco e gambas, bem puxada. Não uma daquelas todas pipis, para gente mais delicada. E o malandro do vinho aguentou-se, desde a primeira hora, sem vacilar. Por isso, comprem! Se não gostarem, mandem-me as garrafas. 

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Continua a ser, aliás, o melhor!

Foi um daqueles dias em que escolhes uma garrafa especial e te deleitas com ela, sozinho, ao mesmo tempo que comes um simples peixe, assado no forno. Assado sem grandes artimanhas culinárias, sem grandes malabarismos na confecção.


Depois de muitos meses, sem o beber, confirmo que é o rosé que mais me emociona a beber. É literalmente, para mim, o melhor rosé. A sua complexidade e profundidade são ímpares.


Está ou estava, pois a garrafa foi-se, num estado de equilíbrio, de maturação inagualáveis. É, literalmente, um rosé que é vinho. Aliás, um grande vinho!

sexta-feira, janeiro 19, 2018

O Poder da Imagem

Existem imagens que escusam palavras a acompanhar. As palavras, essas, que são muitas vezes incapazes de descrever o que se vê e o que se sente, quando olhamos para determinada imagem. Tornam-se inócuas e desnecessárias. 


Por vezes, a intensidade da imagem é de tal ordem que consegue agarrar-nos, assim sem mais nem menos. Ficamos parados a olhar para ela. Estáticos e embebecidos, sentindo um conjunto de reacções ao longo do nosso corpo. Umas mais aqui, outras mais acolá. É o chamado poder da imagem que vale por mil palavras, como disse Confúcio.

quinta-feira, janeiro 18, 2018

Carrocel

E quando num acto irreflectido, sacas de uma garrafa, a bebes sozinho e te delicias com ela. É o quê? O anúncio diz que é impulse. 


Bebes o vinho, muitas vezes acompanhado por uma simples vianda, sem qualquer preocupação com a combinação ou maridagem como dizem os gourmets deste mundo.
Vais engolindo trago após trago, a ritmo cadenciado, caminhando para um estado de letargia, onde não existem confusões, amarras e nem comprometimentos sociais. Entras literalmente num carrocel de liberdade.


Quando caem as últimas gotas do vinho no copo, páras, observas e dizes para contigo: Que porra de vinho! 

segunda-feira, janeiro 15, 2018

Vinha de Santa Ana: A Insustentável Leveza do Ser

Ora bom dia! Naquele registo em que achamos que influenciamos alguma coisa e que os produtores passam a vender muito mais, por causa das nossas palavras, permitam-me aconselhar mais um vinho. 
Depois de uma ou duas provas fugazes, este fim de semana tive a possibilidade de me dedicar a este vinho com toda a tranquilidade. Com a minha tranquilidade, à minha maneira, com os meus modos. Com a minha forma de olhar para o vinho e acompanhado pela minha pessoa. É o que me importa, ao fim ao cabo.


O vinho é profundamente coerente com o historial do produtor. Não somos confrontados, em tempo algum, com qualquer desvio ao que estamos habituados e ao que é expectável.


Muito limpo, cristalino, com muitas sensações ou estímulos, como queiram, que nos reportam para climas frescos, húmidos, com muita pedra. Muito leve e sadio. Acima de tudo, repleto de equilíbrio e finura, o que nos diz que perderia num confronto directo contra aqueles vinhos mais intensos, gordos e kitados. Ou que seria preterido se fosse provado ou bebido em clima de prova cega, que tantos adoram. Depois, porque também é importante, ficou a sensação que o tempo vai contribuir para enriquecê-lo, amadurecê-lo, torná-lo mais adulto, como é tradição com este produtor. Temos vinho, por isto tudo e mais alguma coisa.

quinta-feira, janeiro 11, 2018

Declaração de Interesses ...

Adoro-te! Preciso de ti. Gosto da tua potência, do teu volume. Gosto da forma exagerada como te comportas. Percebe-se que não és delicada, que gostas e necessitas de intensidade. Não há meio termo para ti. Fofuras não são contigo. 


Quando estás quente, és profundamente lasciva, decadente e húmida. Adoro as tuas extremidades. Crocantes. Combinam lindamente com a suculência do teu interior. Quando estás mais fria, consegues manter, por muito tempo, todo aquele lado libidinoso e travesso que tens, desde a primeira hora. O tempo dá-te outra dimensão. Chamam-te de queijadinha, mas tu replicas Sou uma Queijada. Tens razão. E eu digo que és a melhor Queijada de Requeijão do Mundo

terça-feira, janeiro 09, 2018

Quinta dos Roques Reserva Branco: O Primeiro

Sem grandes delongas, porque o produtor escusa apresentação. Digamos que é a primeira colheita de um branco reserva da Quinta dos Roques. E para primeiro lançamento, a coisa não correu nada mal. Pareceu-me estar perante um vinho que prima, acima de tudo, pela harmonia, graciosidade, equilíbrio e parcimónia de aromas e sabores. 


É um daqueles vinhos simbióticos ou de espectro alargado que consegue convencer ou agradar a bastante malta, sem perder o seu cunho regional. A frescura está lá. Um vinho, portanto, profundamente coerente e em conformidade com o que já conhecemos deste produtor. Gostei muito da forma como se deixou beber à mesa. Sem esmagamentos, sem potências. Muito mais num registo cavaleiresco, gentleman. 


É vinho que merece, pareceu-me, ser mandado para a cave para enriquecer ainda mais, para harmonizar ainda mais, para limar esta ou aquela aresta que possa estar, ainda, mais aguda. Creio, e vale o que vale, que é capaz de se tornar, lá mais para a frente, em mais um vinho de referência na região do Dão. Bom, assim que puderem, comprem e bebam-no.

segunda-feira, janeiro 08, 2018

O Quê? Domaine Montanet-Thoden Bourgogne Vézelay 2014

Andei a remoer se havia de espetar aqui no meu pasquim, as tradicionais fotos de um vinho que quase ninguém conhece e que eu também desconhecia. É que questiono-me, vezes sem conta, sobre a vantagem de falar de vinhaça que a maior parte da malta não faz ideia do que é ou nem sabe onde encontrar. Se juntarmos a isto o (muito) limitado número de leitores e seguidores que acompanham o que expelimos, torna a coisa ainda mais, sei lá, inútil. Dilema do caraças. Bom, pelo menos dá a ideia que bebemos umas cenas diferentes e exclusivas.


Como dá para perceber, desconhecia o produtor. Não sou daqueles gajos que conhece a literatura toda na ponta da língua sobre quem é quem, onde fazem os seus vinhos, onde estão as vinhas, que fazem assim ou assado. E dificilmente o serei. Comprei, por isso, o vinho à sorte. Foi um tiro preciso, entre outras tantas opções disponíveis. 
O vinho surpreendeu-me muito. Sem gastar uma pipa de massa (foram 16€, se não me engano), bebi algo que me encheu as medidas. Surpreendeu-me pela sua pureza, pelo seu lado cristalino, pela simbiose entre a fruta, mais ou menos gorda, e a frescura. Acidez tão bem colocada. Tudo muito bem envolvido e arrumado. Sem ser um estrondo de vinho, arrisco a dizer que é um vinho com muita personalidade, com muito carácter e com capacidade para envelhecer com muita dignidade (e melhorar muito mais). Na verdade, até o achei ainda jovem e perro. Até pareço um critico a sério. Vou seguramente comprar mais vezes.


Este vinho, para os mais curiosos, enquadra-se num conjunto de outras escolhas que tenho feito e investido, nos últimos tempos. São escolhas que se enquadram numa onda, , mais natural, menos intervencionista, mais free. E posso dizer-vos que ando profundamente satisfeito. Agora, não me perguntem por nomes. A maior parte não os memorizei. 

domingo, janeiro 07, 2018

Ide à Tasquinha do Rio!

Sou daqueles gajos que tem, sempre, os sentimentos à flor da pele. Gosto, não gosto. Apaixono-me, desapaixono-me. Gosto de emoções, aprecio aquela tensão que a paixão me dá. O meio termo lixa-me os miolos. Detesto, fico lixado, com a porra das palavinhas mansas. Detesto malta que se melindra. Bazo logo e que cada um vá à sua vida. Mais à frente a malta volta-se a encontrar. Se der.
Consumo o que consumo sempre por causa de motivos sentimentais e pessoais. Deixo de consumir ou preferir também por razões sentimentais e pessoais. A vida, a dada altura, não deixa margem a fretes.
Conheço Setúbal desde sempre. Frequentei e frequento Setúbal, pelas mais diversas razões.  Houve tempos em que era frequentador assíduo das tascas, no sentido literal do termo, da terra da sarrdinha e do carrapau. Entretanto, afastei-me da cidade. Comecei a achá-la demasiado betanizada, incaracterística, massificada, com a sua frente ribeirinha degradada e abandonada. Este afastamento era quebrado, apenas, para ir aos viveiros de marisco, para comer o tradicional choco frito ou salmonetes. Aliás, não existem melhores salmonetes que os de Setúbal. É em Setúbal que temos de ir comer os salmonentes.

Setúbal está, no entanto, a mudar. Está mais viva, começa a mostrar sinais de rejuvenescimento. A restauração está, parece-me, a acompanhar esta mudança. Surgiram, também, bares de vinho, gastro bares ou pubs, boas garrafeiras. As opções começam a ser muitas. Contudo, raramente fugia do circuito mais tradicionalista do choco. Pancadas.
Descobri a Tasquinha do Rio, por intermédio de um compincha. Pedi-lhe conselhos sobre locais para petiscar, para picar isto e aquilo. Ele avançou com meia dúzia de propostas e perante uma pergunta directa, respondeu-me que gostava muito da Tasquinha do Rio. Ainda por cima, segundo ele, era espaço onde o vinho era bem tratado. Dispararam as sirenes. É aqui que vou. Está feito, está decidido. Se não gostar, se for uma treta, se for um fiasco, certamente o Valter iria ouvi-las.


Espaço pequeno e profundamente acolhedor. Saltou à vista, a minha, a simplicidade do ambiente, bem como aquela sensação de asseio. Pouco mais que meia dúzia de mesas aconchegadas, numa superfície pouco maior que a minha sala de estar. Apreciei a tranquilidade, a possibilidade, vejam lá, de poder falar com todas as pessoas que estavam em meu redor. Adultos e crianças. Só nós ocupámos, num ápice, metade dos lugares.


A comida assentava numa simplicidade de sabores, de aromas que me deixou estonteado. Tudo bem balanceado, equilibrado e bem temperado. Sentia-se que havia mão. Mão de cozinheira. Aquela mão de mãe que sabe transformar a coisa mais simples em algo com uma enorme complexidade. Ia caindo na mesa um pouco de tudo. Umas tiras de choco muito boas, bem fritas, secas e sem gordura, um pica-pau do caraças, umas gambas com alho perfeitas, umas costeletas de borrego que eram, simplesmente, divinais. Eram manteiga na boca. Porra, terão sido as melhores costeletas de borrego que comi nos últimos tempos. Pura pornografia.
Ainda trinquei um niquinho de pernil de porco assado no forno, não sei se era do lote da Venezuela, que me deixou de queixo caído. Desfazia-se com a colher. A pele, bem tostada, era hino ao pecado. Era uma ovação a tudo aquilo que faz mal, mas que sabe muito bem. E ainda houve tempo para uma bela costeleta de javali. Grelhada na perfeição. Um autêntico desfile de pequenos enormes prazeres. Ah! Esperem, ainda se limparam umas soberbas e bem temperadas codornizes. Foram a sobremesa.


E o vinho? Bem tratado. Podia-se olhar em redor e percebia-se que ali gostava-se de vinho. Não havendo uma lista infindável de referências, era possível descortinar algumas das mais conhecidas e badaladas. E, vejam lá, até havia vinho do Dão :) Reparei no MOB, no Villa Oliveira, no Pelada Mulher Nua, ... E naturalmente bebi vinho do Dão, mas também do Alentejo (o saudoso Altas Quintas). Os copos eram do melhor que há. Irrepreensíveis.
Bom, resumindo a coisa que isto hoje está longo, apraz dizer que fiquei muito apaixonado pelo lugar. Vou voltar. Irei lá, outra vez, para experimentar o outro lado. O lado dos tachos e das panelas. Dizem, segundo consta, que é assim algo inesquecível. E por favor, continuem assim. Não se abandalhem.

terça-feira, janeiro 02, 2018

Terras do Mendo: Le Petit Pellada

Não sei se, após os fogos de 2017, este produtor continuará a existir. Se se extinguir, desaparecer, atrevo-me a dizer que será uma perca considerável para a região do Dão. Sou um adepto confesso dos seus vinhos brancos. Diria que os seus vinhos brancos (acho que só existe Encruzado) são um autêntico tesouro, quase intacto, ou um segredo, muito pouco conhecido, por entre aqueles que gostam de mamar uns belos copos de vinho. Vendidos a um preço muito abaixo do seu valor real. Bastaria que tivesse outro rótulo, para custar mais meia dúzia de euros.



Este 2015, apesar de profundamente jovem, ainda muito irrequieto, ainda meio perro, mostra, sem qualquer margem para dúvidas, um enorme carácter, sobriedade e uma frescura acutilante. Cheio daquelas impressões que os sábios dizem ser minerais, vegetais e citrinas. Depois, exagerando ou não, pouco importa, este vinho, a espaços, dava a ideia que era, na verdade, um Pellada, um Saes ou um Primus, sei lá. Tipo uma marca branca de Álvaro Castro. É assumidamente um Le Petit Pellada que aconselho, a quem me segue, que comprem, provem e guardem, sem qualquer receio. Ele não vai morrer tão cedo.