segunda-feira, março 12, 2018

A Liberdade

Provavelmente expectável. Comprovadamente influenciado. Decididamente parcial. O António Madeira não precisa de qualquer apoio meu. Muito menos de empurrões. Fez-se à vida, à sua maneira, e desde de 2011, ano da primeira colheita, que vai cimentando o seu nome, bem como a qualidade dos seus vinhos, com a enorme ajuda do jovem Luís Lopes.


Sem grandes rodeios, sem mais delongas, sem mais prelúdios, atrevo-me a dizer que terá sido o melhor vinho branco que bebi, até ao momento, neste ano de 2018. Fiquei impressionado, não vou ter qualquer cuidado nas minhas palavras, a liberdade assim o me permite, pela sua grande profundidade e complexidade.
A limpidez da fruta, a curiosa untuosidade e cremosidade que possuia, a dimensão da frescura e a forma como foi evoluindo, ao longo de dois dias e mais qualquer coisa, mostrava-me que tinha ali um vinho bem pensado, bem construído e estruturado. Feito com tempo e muita paciência, julgo eu, terá sofrido, imagino, o mínimo de intervenção.


O resultado, no que me diz respeito, é o de um vinho que me encheu as medidas, que me deixou estarrecido e seduzido, que conseguiu apresentar, no actual estado, um nível de potência e elegância, que só se atinge lá em cima, no topo da pirâmide. Viciante.

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