sexta-feira, março 16, 2018

Cortes de Cima: Chaminé

Falemos de coisas terrenas, daquelas que estão ao alcance do povão. Dediquemo-nos um pouco aos vinhos que a malta anónima compra, para ir bebendo no seu prosaico dia-a-dia. Malta que querer beber um copo, ao final do dia, na sua mesa, numa simples bucha, com ou sem amigos. Sem ligar puto às novas tendências. Têm prazer e, olhem, andam felizes.


Apesar de o fazer, questiono-me regularmente sobre o interesse que tem, dizer ao mundo que bebi, às vezes são apenas umas gotas, uma porra que é toda XPTO e que apenas um punhado de gajos conhece ou saliva, só de olhar para os rótulos. Actos de exibicionismo, de auto-satisfação.  É um facto que um post feito com aquele vinho mais exclusivo, quase holográfico, dá direito a muita curiosidade, a muita visita e a uma boa sacada de likes. Quem não gosta de mostrar que a sua é maior que a do outro? Coisas da vida.


Sem qualquer pudor, sem qualquer medo de ser relegado para categorias mais irrelevantes, afirmo-o aqui publicamente que curti este vinho branco. Surpreendeu-me. Fez-me dizer em voz alta, perante os que estavam ao pé de mim, que estava a gostar. Gostei do impacto da fruta, curti a frescura na boca. Não estava, de todo, à espera. Diverti-me com a sua alegria, com a forma quase bipolar como se comportava, ali algures entre um alentejano maduro do interior e um alentejano viçoso e mais leve da costa.  Malandreco de um raio.

3 comentários:

José Eduardo disse...

Por vezes são as coisas mais simples da vida que nos dão maior prazer, aquelas que temos por garantidas ou que julgamos conhecer e afinal... muito boa a frescura da publicação. Um abraço!

Pingus Vinicus disse...

É mesmo Zé! É mesmo! Um grande abraço!

Flavio Henrique disse...

Caro Pingus,
Descrição padrão Pingus! Muito boa!
Abraços,
Flavio