sábado, março 03, 2018

O Pedro Garcias anda perto!

Terá sido o melhor artigo de Pedro Garcias, nos últimos tempos. Ele aproxima-se, cada vez mais, da realidade. Do que se passa nos meandros do vinho. Espero, anseio, que vá mais longe. Devia, aliás, ter ido mais longe.
Só não vê, quem não quer. A critica de vinhos em Portugal não existe ou é, assim, uma coisinha muito ligeira. Existem, acima de tudo, divulgadores de eventos, de marcas, de prémios e fazedores de notas de provas. Sempre sem qualquer rasgo opinativo. Já nem considero aqueles que se entretém a divulgar, quase exclusivamente, as press realeses. 
Fala-se, mas não se critica, não se dá opinião. É compreensível. Podem-se perder amostras, jantares, almoços, passeios ou eventuais patrocínios. Pode-se deixar de ser convidado para ser jurado, num determinado painel de prova. Já viram o que era não meter uma foto com o seu nome no facebook, a assinalar a sua presença em mais uma prova? Podem-se perder fins-de-semana, com tudo pago. É muito mais fácil, andarmos de elogios em elogios, desde que pingue vinho e refeições. 
É com muita tristeza, assumo publicamente, que vejo os meus pares bloggers a vergarem-se e a submeterem-se a uma lógica, que chegaram a criticar nos bastidores. É com tristeza que vejo que se acomodaram e se sentem bem. Percebo. Vai pingando, sempre, qualquer coisa. 


É com muita pena, que não vi, ainda, nenhum produtor dizer que são eles que pagam esta treta toda: revistas, eventos, provas, refeições e visitas dos fazedores de opinião. Estarão agarrados pela bolsinha? Não é o consumidor, certamente, que paga isto tudo. O consumidor, essa entidade estranha, nem sabe do que se passa. Compra o vinho signature que há no Continente ou noutro lado qualquer. 
Mas o vinho e o seu mundo não são uma excepção. Somos confrontados, todos os dias, com estas vicissitudes, noutras áreas. Discordar é encarado como sinal de mau carácter, como sinal de pouca formação pessoal. É a vida, como se costuma dizer.
Pedro, também te digo, o que interessa é andar na crista da onda. Esquece o resto, que só dá dores de cabeça. Venham as palmadas nas costas, que são o que importa. É que o mundo português é pequeno e toda a gente se conhece. Sejamos, por isso, felizes.

Post Scriptum: Ainda ninguém me disse, como se sustenta uma revista de vinhos. Pela publicidade? Pelo número de exemplares vendidos? Pelos eventos que se promovem? Por tudo junto?

1 comentário:

Ricardo Freire disse...

Como dizia o outro: "é o sistema".
Remar contra a maré, acaba com os braços. É mais fácil ir na corrente.
Denunciar é bom, mas precisamos de estar bem encostados.
Eu concordo com as críticas, mas admito que gosto muito de ler as 2 revistas em causa. São bons romances...