segunda-feira, maio 21, 2018

Na Tasca

Há momentos em que não queres comer nada em particular e não queres beber nada de especial. Queres, apenas, libertar-te do peso que tens em cima dos ombros. Queres sacudir toda a pressão que tens no lombo. Queres, apenas, tirar o pipo e aliviar. Queres esquecer muita porra que te mói a mona, dia após dia.


Vais para o petisco e entras no primeiro lugar que vês à tua frente. Escolhes qualquer coisa, sem pensar na razão da tua escolha. Começas, num ritmo sôfrego a enfiar no bucho tudo o que vês. De forma completamente aleatória as travessas vão sendo limpas até ao último resquício. Acompanhas com um vinho prosaico, mas honesto. Nem queres saber se o copo é adequado ou não. É perfeito para o momento. Nem mais e nem menos.



Ao saíres, reparas na montra que está lá fora. Uma montra que faz arregalar os olhos, pela imponência da decoração. O conteúdo era ostensivo, provocador. Quase pornográfico. Profundamente decadente. Prometes a ti mesmo que terás de regressar ali, desta vez com um objectivo mais definido. Com um propósito mais concreto. Só para tirar as teimas.

sexta-feira, maio 18, 2018

Xistos Altos

Uma publicação mais limada, com menos arestas, mais doce. Chegámos ao melhor da dia da semana: sexta-feira. Como tal, a comunicação, de hoje, vai ser rápida e sucinta. Espero.


Este vinho, meus caros amigos, está cada vez melhor. Está a evoluir muito bem. Muito mesmo. A atingir níveis elevados de equilíbrio e finura. E com uma salinidade muito, muito curiosa.


Com um perfil profundamente elegante. Com tudo na medida certa. Depois, o que importa, estou a gostar dele cada vez mais. Soube-me pela outra vida, por esta e por aquela que dizem podemos vir, ainda, a ter. 

quinta-feira, maio 17, 2018

Os meus #amigalhaços!

Sou um gajo de emoções. Não me sinto bem, se não deitar cá para fora o que me vai na alma, no momento. A porra vem depois, como sempre. Depois surgem as agonias, mas já é tarde. Mas chateia-me viver de forma insossa.
É uma republicação, uma reactualização. Não será, portanto, uma novidade. É um post que enumera, simplesmente, quem ofereceu, directamente ou indirectamente, vinhos ao Pingus Vinicus. Vinhos que foram chegando às mãos, desde 2006, o ano da fundação.

Foto da autoria de Carlos Janeiro
Para mim, são ofertas, prendas, regalos. Não as considero amostras. As amostras são para quem se dedica ao assunto de forma profissional e dedicada. São ou foram, por isso, os meus #amigalhaços

Vinho Verde/Alvarinho

A&D Wines
Adega de Monção
Anselmo Mendes
Casa de Canhotos
GR Consultores
João Portugal Ramos
Pequenos Rebentos
Quinta da Lixa
Tapada dos Monges
Vales dos Ares

Douro
Casa Agrícola de Phermentoees
Caves Transmontanas - Vértice
Sociedade Agrícola da Casa d’Arrochella - Grandes Quintas
Dona Matilde
Duorum (João Portugal Ramos & José Maria Soares Franco)
Enoport Caves Velhas
Niepoort
Proibido/Permitido
Quanta Terra
Quinta da Covada
Quinta da Zaralhôa
Quinta das Bajancas
Quinta de Maritávora
Quinta do Portal
Quinta do Soque
Quinta do Torgal
Quinta dos Murças
Portugal Winery Boutique
The Fladgate Partnership
VDS - Vinhos Douro Superior

Dão/Bairrada/Beiras
António Madeira
Casa da Passarela
Casa de Darei
Chão de São Francisco
Casa de Saima (Bairrada)
Dão Sul
Monte Aljão
Messias (Bairrada)
O Meu Tio
Pedra Cancela
Quinta da Bica
Quinta da Boavista (Terra de Tavares)
Quinta da Espinhosa
Quinta da Falorca
Quinta da Fata
Quinta da Ponte Pedrinha
Quinta da Vegia
Quinta das Marias
Quinta de Nespereira
Quinta de Santo António do Serrado - Barão de Nelas
Quinta do Corujão
Quinta do Escudial
Quinta do Gonçalvinho
Quinta do Medronheiro
Quinta do Perdigão
Quinta dos Carvalhais
Quinta dos Roques/Quinta das Maias
Quinta Mendes Pereira
Sociedade Agrícola Casa Aranda
Terras do Mendo
Quinta do Cardo (Beira Interior)
Quinta dos Barreiros - Gravato (Beira Interior)
Horta de Gonçalpares - RAYA (Beira Interior)

Tejo/Lisboa/Bucelas/Colares
Adega Mãe (Lisboa)
Casca Wines (Collares)
Casal Figueira (Lisboa)
Enoport (Bucelas)
Fiuza (Tejo)
Quinta do Gradil (Lisboa)
Quinta da Murta (Bucelas)
Quinta das Carrafouchas (Lisboa)
Quinta de Alorna (Tejo)
Quinta de Pancas (Lisboa)
Vale D'Algares (Tejo)

Alentejo/Algarve/Setúbal
Adega Cooperativa de Borba
Adega Cooperativa de Portalegre
Adega Mayor

Altas Quintas
Casa Ermelinda Freitas (Setúbal)
Esporão
Fundação Abreu Callado
Herdade Paço do Conde
Herdade de Rio Frio (Setúbal)
Herdade de São Miguel
Herdade dos Grous
João Portugal Ramos
José Maria da Fonseca (Setúbal)
Lima Mayer

Quinta do Quetzal
Quinta do Francês (Algarve)
Monte da Ravasqueira

Madeira
Adega de São Vicente - Paixão do Vinho 

Se tiver esquecido algum, facilmente será descoberto por mim ou por vocês. Acredito que alguma coisa me tenha escapado. Contudo, estará sempre em actualização, sempre que sentir necessidade. Irá estar sempre online.

domingo, maio 13, 2018

Provavelmente ...

Antes de começar a palestra do dia, que é dominical, e para não deixar qualquer dúvida a quem perde algum tempo aqui a ler as minhas balelas, aviso, desde já, que este vinho foi-me oferecido. Presumo que terá sido a própria empresa. Como tal, deduzo que irão aparecer mais publicações, avaliações, classificações e quejandos, feitas pelos meus pares, sobre o dito. Feitas as explicações prévias, passemos ao furúnculo da questão.
Mesmo os mais distraídos, como eu, já reparam que a Quinta da Pancas tem sofrido um processo de renovação a todos os níveis. Rótulos, novos vinhos. São bonitos à vista. E tenho gostado, mais uns do que outros, do que vou bebendo.


Da nova vaga de vinhos, este arinto estreme vai ter, quase de certeza, lugar de destaque. Um destaque merecido, digo eu. Trata-se de um vinho com uma estatura e estrutura que me deixou impressionado. Os seus aromas ou cheiros provocaram uma porrada de sensações, que iam desde os estímulos mais vegetais, mais ou menos frutados, mais ou menos minerais, mais ou menos untuosos. A desmultiplicação de impressões era vasta. Os sabores eram, também, vastos. Profundamente finos, equilibrados e com uma frescura fortemente incisiva e precisa. Com muita classe.
Digamos que este vinho dá asas à nossa imaginação, permitindo-nos, portanto, enumerar um chorrilho de descrições sobre tudo e mais alguma coisa. Reservo-os para mim, pois alguns pareceram-me provocados pelo estado de ebriez


Não andando em cima de todas e mais algumas novidades, nem a beber tudo e mais alguma coisa, permitam-me que vos diga, preto no branco, que este vinho está no lote de vinhos brancos mais excitantes que bebi, neste ano de 2018 e no ano de 2017. E provavelmente um dos melhores. Valerá para aí, tendo em conta a realidade actual, uns 20 a 22 pontos. Sem favores.

quinta-feira, maio 10, 2018

Ode ao Pregado

Todos nós temos preferências. Muitas vezes nem conseguimos explicar, justificadamente, a razão da nossa escolha. É porque é.

Detenham-se a observar a beleza da foto. Tirada ao vivo em Sabores do Peixe (Montijo)
No que respeita a peixes, o pregado ocupa um dos lugares cimeiros, no que concerne às minhas opções principais. A delicadeza da carne e a suavidade do sabor tornam este animal em algo muito especial, para mim. Infelizmente, começa a ser raro comer um que seja proveniente, efectivamente, do mar. Do mar aberto. Quando percebemos, julgamos nós, que o que temos no prato é mesmo aquilo que pensamos, os níveis de prazer são catapultados para patamares que roçam o deboche. Provavelmente, por sujestão, pensamos que é melhor e mais genuíno. É que quando é de aquacultura, verdade seja dita, também me sabe muito bem.


Aliás, em jeito de adenda, digo-vos claramente que a minha dieta incorpora muito peixe, se não a maior parte, criado em regime de aquacultura. Alimentar várias bocas, todos os dias, não dá (muita) margem de manobra para grandes filosofias ou demandas em busca do que é mais puro. Mas voltemos ao pregado que é o mote da coisa de hoje. É peixe que merece uma Ode, venha ele do mar aberto ou não.

quarta-feira, maio 02, 2018

Perguntas Simples para Respostas Simples!

Estava um tipo na mesa, quando lhe espetam um vinho tapado à frente. Provou-se e bebeu-se. Pouco tempo depois fazem-te meia dúzia de perguntas, do tipo: gostas? compravas? 



As respostas dadas por mim, antes de ver o rótulo, foram muito simples e sem grandes artimanhas argumentativas ou cuidados defensivos, que a maior parte da malta gosta de ter quando bebe às escuras, para não haver comprometimentos. Foram coisas do tipo  sim, estou a gostar; não está mau; talvez redondo de mais; quando aquece torna-se mais complicado. E era capaz de comprar, dependendo do preço.


Após a solene revelação do rótulo, mantive o que tinha dito. Apenas ressalvei que não compraria o vinho, por causa do preço a que era vendido. É excessivo.