domingo, dezembro 14, 2014

O Pingus gostou destes: Os eleitos de 2014

A lógica é a mesma, a ideia é igual. Não há qualquer alteração, nem tem qualquer intuito de ser aquilo que nunca foi e que nunca será. 
É mais uma selecção de vinhos que partilho e que foram publicados. Como sempre, e para não destoar, a sua escolha assenta em aspectos obscuros, tendenciosos e amplamente emocionais. Não há, portanto, quaisquer critérios. Foram, e nem podia deixar de  ser, os melhores, aqueles que mais gostei, os que marcaram determinada ocasião, sendo que algumas vezes sem qualquer justificação justificável. O resto, como devem perceber, são assuntos sem importância. Eu gostei destes e vocês gostarão de outros. Constatação normal na vida de homens e mulheres.


Douro/Porto
Batuta 2009

Bairrada/Beiras
Aliás - Branco de Outrora 2012
Casa de Saima Branco 1993
Casa de Saima Baga Garrafeira 2008
Diga ? Tinto 2004
Dores Simões Garrafeira 1990
Espumante Encontro Special Cuvée 2010
Marques de Marialva Baga Confirmado 1991
Sidónio Sousa Garrafeira 1995

Dão
Carrocel 2011
Casa da Passarella O Fugitivo Vinhas Centenárias 2012
Conde de Santar Reserva 2005
Druida Encruzado 2012
E.T. 2012
MOB Branco 2012
Pedra Cancela: Signatura Branco 2012
Quinta da Falorca Garrafeira 2003
Quinta da Pellada 2011
Quinta da Vegia Superior 2007
Quinta do Corujão Grande Escolha 2004
Quinta dos Três Maninhos GVD 2012

Península de Setúbal
Fernando Soares Franco 2011

Alentejo
Explicit Branco 2012
José de Sousa Tinto Velho 1995

Outros
Alain Graillot Crozes Hermitage 2007

Moscatel de Setúbal
Alambre 20 anos

Madeira
Boal 1977

Como sempre foi, cada vinho tem um link para o respectivo texto. Também como sempre, esse texto pouco ou nada esclarece. De qualquer forma, sirvam-se, sirvam-me, abusem e critiquem.

sexta-feira, dezembro 12, 2014

(Nas) Varandas (da Serra)

A Varanda serve na generalidade para termos uma perspectiva mais elevada em relação ao horizonte. A Varanda serve também, acho, para termos um pouco do ar de lá de fora. Dá-nos a sensação de que temos um pouco de espaço a mais. A clausura de um apartamento com uma varanda parece-nos um pouco menos espartana. Sempre podemos, sei lá, falar ao parapeito, com o vizinho sobre a vida alheia, colocar um fogareiro e fingir que fazemos um churrasco ao ar livre. O resto, a imaginação, é connosco.

Apenas em Garrafa Magnum. Sobre esta temática, devo confessar que ando a ficar um defensor deste formato. 
Sobre a Varanda, recordo que sempre, e desde puto, ouvi dizer que a Serra era uma Varanda para o Mundo. Ser uma Varanda para o Mundo, pressuponha que ela, a Varanda, fosse tão grande que podíamos ver (quase) tudo. Que estávamos acima e em cima de tudo. Na verdade o que se via, mais além, era a vizinhança, os arredores, a cercania. É verdade que a vista desimpedida para o Ocidente, permitia-nos ver mais um pouco, levando os mais crédulos a acreditar que o Mar estava ali mesmo à nossa frente. Seria ou era a Verdadeira Varanda, porque num território continental de reduzida dimensão, não havia outra mais alta ou maior. Era, também, aquela que cortava o país continental ao meio, que dividia muita coisa.

Este branco irá evoluir muito bem no tempo. Para já está, ainda, preso, fechado sobre si. Jovem. Será certamente vinho para voltar a ele, quando estiver mais maturo.
E ao terminar, num ápice, relembrei para que servia, também, a minha varanda nos idos anos oitenta. Servia, vejam lá, como local privilegiado para serviço de sniper. Com aqueles canos da luz, cuidadosamente decorados com fita adesiva colorida, carregados com cartuchos de papel, sendo que os melhores eram feitos a partir de revista, preferencialmente da Maria, atirava-se ao transeunte, preferencialmente o feminino. Malvadez de puto(s). 

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Uma Imagem: um momento!

Reparem na simplicidade do acto (outra vez). Olhem para simplicidade do copo, da paisagem, meio desfocada. Um acto que, aos olhos dos urbanos mais indefectíveis, parece ser profundamente provinciano, tacanho, despido de qualquer etiqueta, rude. É, certamente, tudo isso. E ainda bem.  


Trata-se simplesmente de um copo, de um copo de tasca, de vidro grosso, carregado de vinho feito por um lavrador qualquer, por homens normais, numa quinta qualquer perdida pelo Dão, pela Beira. O acto que está retratado nesta imagem, nesta foto, é história, é a famigerada tradição. É a história que quisemos esconder, anos a fio, que ignoramos, que quisemos negar até à exaustão. A pretensa procura pela modernidade, pela velocidade, aliada à obrigação de esquecer o passado, levou-nos a desprezar a simplicidade deste acto. Queremos esquecer, literalmente, de onde viemos e como viemos. 

terça-feira, dezembro 09, 2014

ET o Extraterrestre ou o Encruzado e a Touriga

Nome bem esgalhado, bem apanhado, bem conseguido. Bem conseguido por que relembra um filme icónico, um filme de sonhos, relações, amizade. Um filme de infância, de juventude.
Sem saber-se mais nada, só por si, o nome e o rótulo cativam, prendem a atenção, fazem fixar o olhar.


Sem saber-se mais nada sobre o quer dizer E.T., prova-se ou bebe-se o vinho, como queiram, e gosta-se. Gosta-se ao ponto de pedirmos mais um copo, de esvaziarmos a garrafa. Bebe-se, por que está guloso, por que está apelativo, por que é alegre, leve e fresco. E quanto mais houvesse, mais se bebia. Um vinho que parece apontar a outros caminhos, que nos dá a ideia de que ainda se pode fazer qualquer coisa meio diferente.


E só ao fim de alguns copos, é que nos lembramos, sabe-se lá porquê, de perguntar: mas afinal o que querem dizer as letras E e T? Simplesmente Encruzado e Touriga Nacional. Pareceu-me bem.

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Saes: Estágio Prolongado

Os Estágios, como sabem, podem ser mais ou menos Prolongados. Aliás, a definição de Prolongado é tão subjectiva, tão díspar que é difícil de definir. Prolongado será quanto tempo? Um mês, seis meses, um ano, dois anos? Mais tempo? Menos tempo?
 

Estágio Prolongado é daquelas felizes paródias criadas, com sucesso, no mundo dos vinhos. Terá um Estágio mais Prolongado que os outros vinhos? Mas afinal quanto vale o Prolongado? Caramba!?
Depois, onde é feito o Estágio? Na cuba, na pipa, na garrafa. E esse Estágio como está dividido no tempo? Quanto tempo na cuba, quanto tempo na pipa, quanto tempo na garrafa?
 
 
Bom, e por causa deste bem esgalhado conceito de Estágio Prolongado, posso dizer-vos, que em tempos já idos, foi o causador de um alargado consumo deste vinho na colheita de 2000. Depois, e durante largos anos, deixei-me de interessar pelo vinho que segundo consta sofria de Estágio Prolongado. Com este 2011, parece que voltou a despertar novamente o interesse.
 

terça-feira, dezembro 02, 2014

O Dão e duas mulheres

Tinha que o fazer publicamente, acima de tudo pela minha consciência, acima de tudo para ficar em paz comigo. Tinha, porque tinha de o fazer.
No dia seis de Dezembro de dois mil e catorze, serei entronizado pela Confraria dos Enófilos do Dão. O acto, em si, não sendo um fim, é um marco. É certo, também, que a relevância do facto, é aquela que cada um quer dar. Para mim, simboliza uma forma de estar, uma forma de olhar o mundo, uma forma de ser. Representa memórias, vidas, tristezas e alegrias. E tudo acontecerá nesse dia, de forma muito intensa.
Tenho recordado, durante as últimas semanas, todas as peripécias, desde as mais felizes até às mais infelizes, até às mais dramáticas. O chorrilho de emoções é pujante e pujente. Batem a todo o instante, a todo o momento.


Sou aquilo que sou, por causa de uma dupla de mulheres que tornearam e torneiam a minha vida. A minha mãe Maria, a minha mulher Paula. Em diferentes estados da minha complicada evolução, permitiram-me fazer o que queria fazer. Bem ou mal, permitiram-me, deixaram. Uma fez-me apaixonar pela sua Beira que era Alta, pela sua Serra, pelo seu Dão. Contou-me histórias de embalar, de encantar. Fez-me ser parte de um mundo imaginário que era dela. A outra, suportou e suporta, dias após dias, os meus anseios, as minhas dúvidas, o que queria e o que já não queria. Ouviu e ouve, com aquele olhar tipicamente sulista e defensivo, os meus mais estranhos e disparatados sonhos.
O acto de dia seis, seja ele qual for, é dedicado a vocês, é para vocês. Para já, não vos consigo dar mais, mas a ambas queria dizer simplesmente: obrigado.
 

segunda-feira, dezembro 01, 2014

Fugitivos: Somos todos!

Prólogo 

O que importa, acima de tudo, é registar o momento. É publico que segui durante algum tempo o renascer da Casa da Passarella. Nunca o escondi. Acompanhei, com emoção, os (primeiros) passos que foram feitos para levantar todas as pedras caídas, tombadas, para reparar todas as tábuas mal tratadas. Prestei atenção, em silêncio, aos desejos, à ambição, aos sonhos de homens e mulheres que por lá trabalharam e ainda trabalham.



A história, como todos sabemos, tem inúmeras voltas, caminha por diversos trilhos, torna-nos, por vezes, em fugitivos de tudo e de nós próprios. Fugitivos de uma vida, de um passado, de um presente e de um futuro, que fingimos não querer ver. Negamos até às últimas, um pouco como Pedro fez no dia que em Jesus foi preso. As evidências, elas, estão aí. Basta focar-nos.


Os Fugitivos transportam, consigo, uma áurea de romantismo, de vagabundo, que nos apaixona, que nos encanta. São Fugitivos e como tal, difíceis de encontrar. Andam por aí. Umas vezes aqui, outras vezes ali. São apanhados de relance. Criam-se lendas em redor deles. Tornam-se em histórias de encantar crianças, histórias para embalar naquelas noites mais turbulentas. Em histórias de sonhos.



Fugitivos somos todos nós. Fugimos do que somos e do que não somos. Fugitivos de uma vida que não queremos, mas que não largamos, que fatalmente amamos e que, ao fim ao cabo, queremos que seja, vejam lá, eterna. 

sexta-feira, novembro 28, 2014

A maldita Madeira que insiste ser nova

Estava algures num local, em postura completamente aluada, quase desligado de algumas coisas que se iam falando, de volta dos meus botões e de um copo com vinho, por sinal, muito bom. Por ali ficaria, se não tivesse surgido lá do fundo, um simples comentário que certamente estaria contextualizado com alguma conversa. Eu apanhei, somente, uma parte que encaixa em muita coisa que vou sentindo, repetidamente, em muitos vinhos portugueses. Infelizmente e desgraçadamente, aquela passagem vinda lá do fundo, só fez cimentar a (minha) opinião que em Portugal, a malfadada madeira nova, ou coisas semelhantes a ela, ainda teima surgir em jeito de domínio superlativo em grande número dos nossos vinhos. Marca e destrói a presumível dignidade de uma casta, de um vinho.
 
 
Ao coberto sabe-se lá do quê, muitos vinhos oferecem-nos, ainda, coisas que já não queremos. Ao coberto sabe-se lá do quê, produtores insistem, porque se calhar acreditam, ou disseram-lhes, que aquele toque de madeira exacerbada iria dar sucesso. Que iria calcorrear com mais facilidade o caminho para o êxito. Há, ainda, nesta forma de olhar para o vinho, algo de muito provinciano, algo de novo-riquismo desnecessário. Um riquismo que para alguns serve, ou servirá, apenas para afundar ainda mais as suas pretensões. Mais gritante, o facto, é que esta peste teima em percorrer todo o país, surgindo em zonas que estavam, presumivelmente, a salvo dela. E, como sabem, quem apanha ou fala de uma moda que já não é, ou que não devia ser, só atalha caminho para o seu fim. Acho eu...
 

quinta-feira, novembro 27, 2014

Ao Pedro: Uma espécie de contraditório

É, quase na certa, dos blogs mais bem escritos, bem mais interessantes que povoam o universo gastro-eno-blogueiro. Desta vez, e por causa de mais um excelente post do Pedro, dei comigo, num acto simples de revisão do (meu) passado e reparei que tudo o que ele, o Pedro, refere, nada tinha ou teve a ver comigo. 


Ao vasculhar os emaranhados meandros das minhas origens, dos hábitos e costumes que sempre alicerçaram a minha educação, vejo que muito pouco há de comum com o fado, com o sul - apesar de cá viver há uma vida - e com as suas tradições. Em jeito de brincadeira de criança, e porque circulo por terras de Santiago desde quase sempre, costumo dizer que sou ou serei, sei lá, uma espécie de eterno cruzado.
E recordando a minha genética, produto de uma combinação entre alta-beirã e superior duriense, vejo que ela foi decisória na minha forma de estar, na maneira como olho para o mundo. 


Reparo que até muito tarde, o Sul era qualquer coisa de estranho, de anacrónico. Faltavam sistematicamente as montanhas, o frio, as pedras, ou melhor: os penedos e as fragas. Os rios, cá em baixo, eram diferentes, menos tensos, menos aguerridos. Os cheiros eram diferentes, desorientavam. A comida parecia ligeira demais, sem corpo, sem peso, com uma delicadeza estranha. O vinho, até o vinho, era diferente.
Lá para cima, Pedro, não havia cante e devo dizer-te que quando ouvia aquilo, parecia estar a escutar qualquer coisa que vinha lá de uma terra que não era a minha, que não fazia sentido. O (meu) folclore era outro, mais ruidoso, mais mexido, mais aguerrido. Não era melhor, nem pior. Era simplesmente diferente.


Posso partilhar contigo, Pedro, que em tempos, na universidade, metia-me sistematicamente com uma alentejana, contando infindáveis histórias cómicas sobre os seus hábitos e sobre o seu povo. Ela na sua típica postura sulista, retorquia sempre da mesma forma e no mesmo timbre: Hás-de casar com uma alentejana e acabar por viver no Alentejo. Eu, de olhar duvidoso sobre tamanha certeza, acenava com um convicto não. E não é que a vida acabou por dar-lhe razão. 

terça-feira, novembro 25, 2014

(Muito) porreiro, pá!

A expressão não tem qualquer significado e nem pretende ser uma qualquer sátira, apesar de fazer recordar uma situação e um momento em especifico entre duas personagens reais.


A expressão reflecte, e só isso e nada mais, o simples estado de alma ao sentir as primeiras sensações, sejam elas quais tenham sido.


O vinho era francamente saboroso, curtido, interessante, muito bebível, guloso e o que mais se possa dizer ou imaginar. Devo dizer-vos, sem qualquer rodeio, que não estava à espera que fosse como foi. O resultado, quase sempre fatídico nestas situações, é esvaziar a garrafa. Muito porreiro, pá!

sábado, novembro 22, 2014

A simplicidade...

Ao ter andado meia vida acabrunhado, irritado, exasperado com as mais diversas passagens, acontecimentos, momentos, a idade tem-me (posso escrever assim?) obrigado a mudar o olhar, o ângulo sobre tanta coisa. Dia após dia, reforço a convicção de que gastei demasiado tempo em lutas desnecessárias, em campanhas sem resultado, em apostas mal apostadas, em dar relevância ao que não devia ter dado. A ideia que fica, o que resta ou restou, diz-me que há valores bem mais importantes, que contam mais, que estiveram sempre presentes, apesar de nunca lhes dar qualquer atenção. Mas a treta do orgulho, desfocava tudo.
 

 
A simplicidade, o acto simples, a forma desbragada em que devíamos viver é, incomensuravelmente, mais importante do que tudo o resto. O resto, pela definição, não é mais do que o resto. É o que sobra, é o que não é divisível, é o que não é importante, tenha ele o valor que tiver, seja ele grande ou pequeno. O estado em que se fica após tantas e tamanhas constatações, é que andamos a caminhar, por aqui, em puro estado de estupidez, toldados por um conjunto de falsas ideias, de falsas perspectivas. Já na dita caverna era ou foi assim. 
 

terça-feira, novembro 18, 2014

Por causa das tais mais de 200 castas

Ao fazer uma breve leitura matinal pela rede, dei comigo com este post do Hugo. No post e por causa de uma nova estampa que ele irá colocar nas suas habituais t-shirts, lança uma dúvida: mais de 200 castas nativas e não chegam!
 


Atrevo-me a dizer, em jeito de constatação, claro que não são suficientes, não chegam. É preciso continuar a importar, substituir, a disseminar por zonas que até pouco tempo, estavam a salvo desse ataque. Diria que este enredo que anda à volta da presumível riqueza de castas, da sua hipotética diversidade é, permitam-me esta afirmação absoluta e bastante pessoal, uma das maiores falácias (entre outras) no mundo do vinho em Portugal.